Entenda como funciona a fila de transplantes e por que não há possibilidade de ‘furar’ a ordem

 

Foto: Reprodução

Logística do SUS ganha visibilidade após o apresentador Faustão precisar de um novo coração; Ceará tem 1.604 pacientes aguardando por órgãos e tecidos

A incerteza sobre o transplante de um órgão ou de tecidos (como medula) atinge 1.604 pessoas no Ceará, sendo a principal espera por rim, com 71% dos pacientes, até esta terça-feira (22). Os pacientes são organizados numa fila estadual, interligada pelo Sistema Nacional de Transplantes, com critérios definidos para cada tipo de procedimento.

Essa logística ganha visibilidade após o apresentador Fausto Silva receber indicação para transplante de coração e entrar na fila do Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sendo acompanhando no Hospital Israelita Albert Einstein – referência da assistência particular.

Na prática, cada estado brasileiro possui a sua fila de espera que são interligadas pelo sistema nacional. Além da ordem de inscrição, fatores como compatibilidade e peso, por exemplo, são adotados para a definição da lista, como explica Eliana Barbosa, coordenadora da Central Estadual de Transplantes.

LISTA DE ESPERA POR TRANSPLANTE DE CORAÇÃO E DEMAIS ÓRGÃOS

Avaliação: uma equipe de transplantes autorizada pelo Ministério da Saúde analisa a situação do paciente com consultas e exames;

Inscrição: as informações do paciente são cadastradas no sistema informatizado de transplantes que gerencia a lista de espera;

Espera: o aguardo acontece até um doador em potencial, com morte encefálica confirmada e com autorização da família, ser identificado como compatível;

Definição: o sistema analisa a compatibilidade do paciente com o órgão e as equipes buscam os hospitais para verificar a possibilidade de realização do procedimento.

“A posição em lista é feita com base em critérios técnicos definidos em portaria, como grupo sanguíneo em relação a compatibilidade. No caso do coração e do pulmão, o peso é um critério”, exemplifica Eliana. Isso porque o órgão precisa ser transferido para um corpo de dimensões similares ao do doador. 

“Cada órgão tem seus critérios de seleção, mas o que dá uma pontuação maior é a compatibilidade do código genético. Quanto mais compatível, o paciente (tende a) ser o primeiro da fila”, completa.

Por exemplo, um paciente que está internado com dispositivos mecânicos terá prioridade em relação àquele que está hospitalizado, mas não necessita de aparelhos para continuar sobrevivendo.

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Após a efetivação da doação do órgão, e feita a avaliação da fila pelo sistema, o paciente é avaliado para confirmar a possibilidade de cirurgia. Isso precisa ser feito de forma breve já que alguns órgãos, como o coração, precisam ser transplantados em até 4 horas.

“Ligamos para a equipe que avalia as condições de aceitar o transplante e o procedimento é realizado. Mas, se naquele momento, tiver um quadro infeccioso impossibilita o procedimento, a equipe justifica e a gente vai para o próximo”, detalha.

Caso não tenha nenhum paciente apto no Ceará, a informação sobre a disponibilidade do órgão é feita ao Ministério da Saúde. O Sistema Nacional, então, é quem define para onde o material será acompanhado.

Fonte: Diário do Nordeste

 

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