STF retoma julgamento de Bolsonaro e aliados acusados de tentativa de golpe de 2022

 

Foto Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) dá continuidade, nesta quarta-feira (10), ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus apontados como integrantes do chamado “núcleo crucial” da trama golpista de 2022. A sessão começa às 9h e deve se estender até o meio-dia.

 

Ao longo da “semana decisiva”, estão previstas mais quatro sessões: duas na quinta-feira (11) e duas na sexta-feira (12). Até o encerramento, três ministros da Primeira Turma ainda precisam apresentar seus votos: Luiz Fux, Cármen Lúcia e o presidente da turma, Cristiano Zanin. A decisão será tomada por maioria simples.

 

Votos já apresentados

Na terça-feira (9), o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação de Bolsonaro e seus aliados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, deterioração de patrimônio tombado e outros crimes contra a democracia.

 

O ministro Flávio Dino acompanhou o relator, deixando o placar em 2x0 pela condenação. A sessão foi encerrada após pedido de Zanin para que os demais votos fossem lidos nesta quarta-feira.

 

Quem são os réus do núcleo principal

Jair Bolsonaro: ex-presidente da República;

Alexandre Ramagem: ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier: ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;

Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto: ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022;

Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

 

Argumentos apresentados

 

Moraes apontou Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que, desde 2021, buscava minar a confiança no sistema eleitoral e atentar contra o Estado Democrático de Direito. Entre os episódios citados estão declarações contra a urna eletrônica, o ato de 7 de Setembro de 2021, reuniões com embaixadores e a atuação da Polícia Rodoviária Federal no dia da eleição de 2022.

 

Dino reforçou que os crimes em análise são “insuscetíveis de anistia” e destacou a violência e as ameaças que marcaram a atuação dos acusados e seus apoiadores. Ele ainda classificou Bolsonaro e Braga Netto como principais responsáveis pelas ações golpistas.

 

Acusações da PGR

 

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa os réus de planejar sequestros e até assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. Além disso, eles teriam elaborado uma “minuta de golpe” para tentar impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder.

 

Outro ponto central do julgamento é a participação do grupo nos atos de 8 de janeiro de 2023, que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

 

O que está em jogo

 

O STF analisa a Ação Penal 2668, que envolve 31 réus divididos em quatro núcleos. O primeiro, considerado central, reúne Bolsonaro e os sete aliados que estão em julgamento nesta semana.

 

Se a maioria dos ministros votar pela condenação, os réus ainda poderão apresentar recursos, como os “embargos de declaração”, para questionar omissões ou contradições no acórdão. No entanto, para que haja novo julgamento, seriam necessários pelo menos dois votos pela absolvição.

 

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