Menopausa pode reduzir volume da massa cinzenta e agravar quadros de ansiedade e depressão, apontam estudos

 

Alterações hormonais afetam áreas do cérebro ligadas às emoções, memória e bem-estar mental

 

A menopausa, fase natural da vida da mulher marcada pelo fim do ciclo reprodutivo, pode provocar alterações estruturais no cérebro e impactar diretamente a saúde mental. Estudos recentes indicam que a queda nos níveis de estrogênio está associada à redução do volume da massa cinzenta, especialmente em regiões ligadas à regulação emocional, memória e cognição, o que pode intensificar quadros de ansiedade e depressão.

 

Pesquisadores explicam que o estrogênio exerce papel fundamental na proteção neural, influenciando a comunicação entre neurônios e a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, substâncias diretamente relacionadas ao humor. Com a diminuição desse hormônio durante a menopausa, o cérebro passa por um processo de adaptação que pode gerar sintomas emocionais e cognitivos.

 

Impactos vão além das ondas de calor

 

Embora a menopausa seja comumente associada a sintomas físicos como ondas de calor, insônia e alterações metabólicas, especialistas alertam que os efeitos neurológicos e emocionais ainda são pouco discutidos. Alterações de humor, dificuldade de concentração, lapsos de memória, irritabilidade e tristeza persistente podem estar ligados às mudanças cerebrais desse período.

 

De acordo com neurologistas e psiquiatras, mulheres com histórico prévio de transtornos de ansiedade ou depressão podem apresentar maior vulnerabilidade durante a transição menopausal.

 

Mudanças cerebrais não são irreversíveis

 

Apesar dos achados preocupantes, os especialistas ressaltam que essas alterações não significam, necessariamente, um dano permanente. O cérebro possui capacidade de adaptação, e fatores como estilo de vida saudável, atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento médico podem ajudar a reduzir os impactos.

 

Em alguns casos, a terapia hormonal, quando bem indicada e acompanhada por profissionais de saúde, pode contribuir para o alívio de sintomas físicos e emocionais, embora não seja recomendada para todas as mulheres.

 

Atenção à saúde mental feminina

 

O tema reforça a importância de ampliar o debate sobre saúde mental feminina e garantir diagnóstico precoce e tratamento adequado durante a menopausa. Especialistas destacam que sintomas emocionais intensos não devem ser encarados como “normais da idade” e precisam de avaliação clínica.

 

“O cuidado com a saúde mental deve fazer parte do acompanhamento da menopausa, assim como o controle de sintomas físicos. Reconhecer sinais de ansiedade e depressão é essencial para preservar a qualidade de vida”, alertam os profissionais.


Escrito por Stéphane Dantas, com informaçoes de: G1.


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