Idosa é internada com infecção grave após ser mantida em casa de repouso clandestina em SP

 

Uma idosa de 86 anos foi internada em estado grave após ser mantida em uma casa de repouso clandestina interditada na última quarta-feira (25), em Ribeirão Preto (SP). A paciente foi diagnosticada com miíase oral, uma infecção severa que provoca a presença de larvas na gengiva.


De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a mulher passou por cirurgia na Santa Casa e apresenta recuperação, estando atualmente na enfermaria.


A miíase, popularmente conhecida como “bicheira”, é causada pela infestação de larvas de moscas em tecidos do corpo, geralmente associada à falta de higiene e à ausência de cuidados adequados com ferimentos ou cavidades, como a boca.


Segundo apuração, a idosa foi levada na madrugada da última terça-feira (24) a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na zona oeste da cidade. Devido à gravidade do quadro, ela precisou ser transferida para a Santa Casa. Até o momento, não há informações sobre quem a levou para o atendimento.


Uma funcionária do hospital, que preferiu não se identificar, relatou o estado crítico da paciente no momento da chegada.


“O doutor foi, examinou a paciente, a gente foi, tirou a roupa dela, colocou a camisola da instituição, e aí a gente viu que ela estava meio gemente. Quando abrimos a boca dela, foi uma visão que não gosto nem de lembrar, é surreal, uma coisa que dói na alma”, disse.


Ainda segundo a profissional, o quadro indica que a idosa ficou vários dias sem qualquer tipo de higiene bucal adequada. Ela ressaltou a condição de vulnerabilidade da paciente.


“Ela é uma pessoa que está vulnerável, não tem como se defender, se cuidar sozinha, e precisa realmente de alguém pra fazer por ela. E isso não foi feito”, afirmou.


A paciente segue em tratamento com antibióticos, medicações para dor e febre. As larvas chegaram a atingir a parte superior da gengiva e avançaram até a estrutura óssea próxima ao nariz.


A idosa não possui familiares em Ribeirão Preto e, segundo informações, conta apenas com o apoio de um amigo. O caso levanta alertas sobre a fiscalização de instituições de longa permanência e os cuidados com idosos em situação de vulnerabilidade.


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