Pai dá adeus a menino de 9 anos morto em atropelamento na Tijuca; mãe é velada na capela vizinha

 

Foto: Reprodução

O humorista Vinicius Antunes, pai de Francisco Farias Antunes, de 9 anos, se despede do filho durante o velório que está sendo realizado na manhã desta quarta-feira, no Cemitério da Penitência, no Caju, na Zona Norte do Rio. O menino morreu ao lado da mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, que está na capela vizinha. Os dois foram atropelados por um ônibus na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, também na Zona Norte. Eles estavam em um autopropelido — uma espécie de bicicleta elétrica.

Antunes chegou ao cemitério acompanhado da esposa, Ana Souza, e logo foi cercado por amigos, que o abraçaram. O clima no local é de muita emoção.

— É o pior momento de todos os tempos da família. Minha tia não queria enterrar a filha, o neto. Está muito difícil. Estamos aqui tentando fortalecê-la — lamenta Altanir Corrêa, primo de Emanoelle.

Representando a família, ele conta que mãe e filho estavam, provavelmente, indo para alguma das tarefas diárias de Francisco, que fazia aulas de luta e futebol. Em poucas palavras, ele pediu maior fiscalização de trânsito na cidade:

— Faltam ciclovias, mas também respeito e fiscalização no trânsito. A gente espera que as autoridades deem atenção ao caso e aumentem a fiscalização. Não estamos aqui para culpar ninguém, mas as imagens falam por si.

Segundo ele, Emanoelle vendia pudins e tinha até uma barraca do produto na Tijuca. Na delegacia, após o crime, os parentes encontraram compras de ingredientes que ela usaria para o trabalho.

— Ela estava feliz com as vendas. Estava conseguindo fazer bom rendimento para ela e o filho. Emanoelle era ótima filha, ótima mãe e prima. Já o Francisco era muito alegre. São luzes que se apagam. Vai ser difícil esquecê-los — completa Corrêa.

Os velórios de Chico e Emanoelle acontecem simultaneamente. Enquanto o menino está na capela 2, acompanhado pelo pai e pela madrasta, a mãe Emanoelle está na 3. Em frente aos espaços, parentes e amigos se reúnem.

Denúncia de golpe

Nesta terça-feira, o humorista denunciou que golpistas usam o nome de Francisco para pedir dinheiro que afirmam ser para o velório da criança:

"Tem gente em grupos pedindo dinheiro como se fosse para o velório do Chico. Não estamos pedindo dinheiro nenhum para o velório dele. Por favor, não deem dinheiro para nada relativo a ele para desconhecidos. Eu sempre falo direto aqui com vocês. É bizarro eu estar num momento desses e ainda ter que passar por esse tormento".

Aumento de casos

Números do Corpo de Bombeiros mostram que o número de acidentes envolvendo autopropelidos na cidade mais que triplicou: foram de 65, em 2024, para 211, em 2025. Este ano, já estão em 49.

O acidente trágico reacendeu — mais uma vez — a discussão a respeito da circulação de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores. Regras existem. Elas foram estabelecidas pela Resolução 996, de junho de 2023, do Conselho Nacional de Trânsito. Apesar de terem quase três anos, ainda não foram regulamentadas por prefeituras do estado, inclusive a da capital.

Pedido por ciclovia

Na manhã de desta terça-feira, o local onde aconteceu o acidente com Chico e Emanoelle — onde não existem ciclovias — amanheceu com inscrições pintadas com tinta branca no asfalto. Em uma delas se lê: “Queremos ciclovias”. Em outro ponto, duas cruzes e a data da tragédia. À noite, o pai do menino voltou às redes sociais e escreveu: “Ele não teria morrido na Zona Sul, porque lá tem ciclovia”.

Fonte Extra.Globo

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