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| Foto: Reprodução |
Os dias 3 e 4 de março serão
dedicados à memória de um dos episódios mais emblemáticos da história do
Cariri: a passagem de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, por Juazeiro do
Norte. A programação acontecerá no Centro Cultural Daniel Walker, antiga
Estação Ferroviária da cidade, e celebra os 100 anos do encontro entre o
cangaceiro e Padre Cícero, ocorrido em 4 de março de 1926.
O diálogo histórico aconteceu
no sobrado onde morava o poeta João Mendes de Oliveira, cenário que se tornou
símbolo de um momento cercado de controvérsias e interpretações diversas ao
longo das décadas.
Com atividades das 9h às 19h,
o evento contará com palestras e mesas de debate voltadas à análise histórica
do episódio, reunindo pesquisadores e estudiosos para discutir os impactos
políticos e sociais da visita de Lampião à cidade. A iniciativa é promovida
pelo seminário Cariri Cangaço, em parceria com a Secretaria Municipal de
Cultura.
Segundo o historiador Roberto
Júnior, a presença de Lampião em Juazeiro do Norte representa um momento
sensível e significativo na trajetória de Padre Cícero, além de refletir o
contexto político do Nordeste no início do século XX. A programação inclui discussões
sobre coronelismo, banditismo e as estruturas de poder da época.
“O propósito é reunir
pesquisadores de todo o Nordeste para analisar as razões que levaram Lampião a
Juazeiro, compreender o cenário político daquele período e revisitar os
acontecimentos registrados na cidade. É um episódio que permanece vivo no
debate histórico”, ressalta o historiador.
Contexto histórico
A ida de Lampião a Juazeiro
ocorreu durante a organização dos chamados Batalhões Patrióticos, formados para
enfrentar a Coluna Prestes. Naquele momento, o líder do cangaço já era
amplamente conhecido no Nordeste, o que deu grande repercussão à sua chegada.
Relatos históricos apontam
que, no encontro com Padre Cícero, Lampião e seus homens teriam se ajoelhado
diante do sacerdote. Há registros de que o religioso tentou persuadir o
cangaceiro a abandonar o cangaço após o retorno da campanha militar, em um dos
episódios mais marcantes e debatidos da história nordestina.

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