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| Foto: Reprodução |
O ministro das Cidades, Jader
Filho (MDB), criticou o governador Romeu Zema (Novo) durante um pronunciamento
do governo federal em Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata atingida pelas
fortes chuvas nos últimos dias. Ele discursou ao lado do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e do senador Rodrigo Pacheco (PSD), favorito do PT para concorrer
ao governo de Minas Gerais. Neste sábado, o Corpo de Bombeiros do estado
anunicou que o número de mortes na região subiu para 70.
Em seu discurso, Jader afirmou
que Zema executou apenas 4% da verba disponibilizada pelo governo federal para
prevenção de enchentes. De acordo com ele, o governo Lula pactuou com estados e
municípios R$ 32 bilhões para obras de contenção de encostas e de
macrodrenagens, que são feitas para evitar as enchentes.
— Só para o estado de Minas
Gerais foram R$ 3,5 bi de reais. Mas esses projetos só existem aqui (em MG)
graças aos projetos apresentados pelos prefeitos e prefeitas. Os projetos que
temos hoje com o governo do estado foram criados em 2012, na ordem de R$ 230
milhões. Mas eles só executaram R$ 9,1 milhão. Ou seja, 4,1% do recurso que
disponibilizamos para eles — afirmou.
Na visita, o presidente Lula
ainda anunciou poderá usar um mecanismo criado após a tragédia do Rio Grande do
Sul para acelerar a compra de casas para famílias que perderam suas residências
na Zona da Mata mineira. Ele afirmou que, em locais onde não houve terreno
seguro disponível, as pessoas poderão escolher um imóvel em qualquer cidade do
estado para que o governo federal faça a compra.
— Se não tiver terreno, a
gente vai adotar a Compra Assistida. Vai ter um valor para comprar a casa. E a
pessoa pode escolher em qualquer cidade de Minas Gerais que ele encontrar uma
casa que possa atender os seus desejos de moradia. O governo federal vai dar de
graça a casa para quem perdeu — afirmou o presidente Lula, em pronunciamento
feito na cidade de Juiz de Fora.
Queda na prevenção
Nesta quarta-feira, O GLOBO
revelou que as despesas do governo de Minas Gerais na infraestrutura de combate
aos impactos das chuvas decaíram de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões
entre os anos de 2023 e 2025, segundo dados do Portal de Transparência do
estado.
Procurada, a administração
estadual argumentou que “a gestão do atendimento e dos gastos públicos durante
o período chuvoso envolve vários órgãos e não apenas a Defesa Civil”. “Somando
todos os recursos investidos”, disse o governo, são, desde 2022, “mais R$ 170
milhões empregados na prevenção e resposta a desastres, desde Tesouro Estadual,
emendas, recursos do acordo Brumadinho, Fundos do MPMG dentre outros,
empenhados no fortalecimento das defesas civis municipais”.
Na análise, o GLOBO buscou
pelos programas do governo — incluindo os ligados ao Gabinete Militar, que
administra a Defesa Civil — e considerou todas as rubricas que faziam menção à
palavra "chuvas". No portal, os investimentos estão descritos com a
descrição de "suporte às ações de combate e resposta aos danos causados
pelas chuvas" e são divididos entre as despesas de gestão de desastre e de
atendimento, de mitigação de danos gerais e pontuais provocados nas rodovias,
além da prevenção de eventos meteorológicos críticos.
Em 2023, os dados indicam que
o governador destinou cerca de R$ 134,8 milhões para esse segmento. Desde
então, o valor pago decaiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em
2023. Já neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual
havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais.
Os dados sob essas rúbricas do
primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema (Novo), que se estendeu entre
os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência.
Procurada sobre a razão da queda nos valores pagos, a administração estadual
não respondeu aos questionamentos levantados pela reportagem até o fechamento
desta matéria. O espaço segue aberto.
Depois dos temporais que
atingiram municípios do estado ao longo dos últimos dias, o vice-governador,
Mateus Simões (PSD), anunciou na terça, durante uma entrevista coletiva, a
destinação de R$ 38 milhões a Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá como forma
de fortalecer o combate às tempestades nos municípios atingidos. Na ocasião,
Zema também informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura (CREA) serão deslocadas para as cidades para mapear todas as áreas
de risco. Além disso, técnicos da Companhia de Saneamento Básico do estado
(Copasa) e carretas humanitárias estavam previstas para chegar nas cidades
ainda na terça-feira.
— Fiz questão de me deslocar
até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos
conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei
ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os
esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas —
afirmou Zema.
Fpnte: O Globo

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