Um fóssil de um crustáceo que viveu há mais de 100 milhões de anos na Bacia do Araripe será repatriado ao Brasil e ficará sob a guarda do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN), da Universidade Regional do Cariri (URCA).
O exemplar pertence a uma nova espécie, denominada Cicero spectabilis. O nome faz referência ao Padre Cícero, enquanto “spectabilis” é uma palavra em latim que significa “espetacular”.
A descoberta foi publicada em julho deste ano no periódico científico Scientific Reports, da revista Nature, em um trabalho que envolveu pesquisadores brasileiros e norte-americanos. Ainda não há uma data definida para o retorno do fóssil ao Brasil.
Fóssil estava nos Estados Unidos
O material foi identificado em uma coleção de artrópodes fósseis que havia sido doada por um doador anônimo ao Centro de Paleontologia de Illinois, vinculado à Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
De acordo com os pesquisadores, o exemplar apresenta excelente estado de conservação, o que permitiu observar e descrever características anatômicas inéditas da espécie.
A descoberta de Cicero spectabilis representa ainda o primeiro registro da família Archaeoniscidae na Formação Crato.
Segundo o estudo, a presença desses animais indica que o grupo conseguiu ocupar ambientes lacustres existentes em Gondwana, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a evolução e a dispersão dessas espécies durante o processo de fragmentação do antigo supercontinente.
Importância para a Bacia do Araripe
Para os pesquisadores envolvidos no estudo, o fóssil reforça a relevância científica e paleontológica da Bacia do Araripe, considerada uma das principais regiões fossilíferas do mundo.
A formação geológica localizada no Cariri reúne fósseis excepcionalmente preservados de animais e plantas que viveram na região durante o período Cretáceo, há milhões de anos.
Com o repatriamento, o Cicero spectabilis passará a integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, fortalecendo a preservação e a pesquisa científica sobre o patrimônio paleontológico da região.
Postar um comentário