O mundo pode enfrentar uma crise de abastecimento de alimentos a partir de 2027, segundo um novo relatório do banco JPMorgan. A avaliação considera a combinação de uma possível escassez de fertilizantes com a ocorrência de um El Niño de forte intensidade.
De acordo com o relatório, os dois fatores podem afetar diretamente a produção agrícola e provocar aumento dos preços dos alimentos em diferentes regiões do planeta.
Fertilizantes estão no centro da preocupação
Um dos principais riscos apontados é a disponibilidade de fertilizantes.
O Oriente Médio responde por cerca de 70% das exportações globais de insumos essenciais para a produção de fertilizantes. As tensões provocadas pelo conflito na região e os impactos sobre o Estreito de Ormuz podem dificultar o fornecimento.
Segundo a avaliação citada pelo JPMorgan, caso a produção seja afetada, a recuperação da capacidade plena pode levar de 1 a 4 anos.
O problema é que os fertilizantes precisam ser aplicados nas lavouras em períodos específicos. A perda dessa janela pode reduzir a produtividade e, consequentemente, a quantidade de alimentos disponível no mercado.
Risco de um El Niño mais intenso
O segundo fator é climático.
O JPMorgan estima em 81% a probabilidade de o atual El Niño evoluir para um evento muito forte até o final deste ano e permanecer ativo durante 2027.
O fenômeno provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Historicamente, eventos de El Niño já estiveram associados a uma redução média de 3,5% na produção agrícola em regiões tropicais, segundo os dados citados no relatório.
Alimentos podem ficar mais caros
O impacto também pode chegar diretamente ao bolso dos consumidores.
A projeção apresentada pelo banco indica que a inflação global de alimentos pode passar de 2,8% no primeiro semestre de 2026 para 5% no mesmo período de 2027.
Entre os países apontados como mais expostos à combinação dos riscos estão Brasil, Índia e Indonésia, importantes produtores agrícolas e consumidores de fertilizantes.
Países já mantêm estoques estratégicos
Apesar de o cenário parecer extremo, manter grandes reservas de alimentos é uma estratégia adotada por governos há décadas.
A China, por exemplo, possui mais da metade dos estoques mundiais de arroz e cerca de 60% dos estoques de milho, de acordo com os dados apresentados no relatório.
A possibilidade de uma crise global não significa necessariamente que haverá falta de comida nas prateleiras, mas o alerta reforça a preocupação com produção, estoques, logística e aumento dos preços nos próximos anos.
O cenário dependerá da evolução dos conflitos no Oriente Médio, da disponibilidade de fertilizantes e da intensidade do fenômeno climático ao longo de 2027.
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