Foto: Antonio Augusto/STF
O ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Flávio Dino afirmou que há “fortes indícios” de que Mariângela
Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), operava diretamente o
encaminhamento de emendas parlamentares supostamente direcionadas de forma
indevida do chamado Orçamento Secreto, atuando sob ordens do então presidente
da Câmara dos Deputados. Fialek foi alvo de uma operação da Polícia Federal,
que cumpriu mandados de busca e apreensões nesta sexta-feira. Lira não é alvo
das investigações.
Segundo Dino, depoimentos de
parlamentares colhidos pela Polícia Federal revela que Fialek “atua diretamente
na operacionalização do encaminhamento de emendas, efetuando-as supostamente em
nome do ex-presidente da Câmara”.
"O exame dos depoimentos
transcritos revela que a Representada atua diretamente na operacionalização do
encaminhamento de emendas, efetuando-as supostamente em nome do ex-Presidente
da Câmara dos Deputados, o Deputado Arthur Lira. Constatou-se, ainda, que,
mesmo após a alteração na Presidência da Casa, ela permaneceu no exercício da
função. Ressalte-se, ademais, que a Representada assumiu tal encargo sem a
anuência do Presidente da respectiva Comissão, Deputado José Rocha, por
determinação direta do então Presidente da Câmara", diz o ministro do STF.
Ainda segundo Dino, “tais
circunstâncias evidenciam fortes indícios de que a Representada integra uma
estrutura organizada voltada ao indevido direcionamento de emendas
parlamentares, supostamente atuando sob ordens diretas da antiga Presidência da
Câmara dos Deputados, exercida pelo Deputado Arthur Lira, fato que ainda está
em apuração“.
O ministro destacou ainda que
“os elementos probatórios extraídos dos depoimentos testemunhais encontram
respaldo nos dados telemáticos, convergindo todos para a conclusão de que a
Representada exerce função de coordenação da destinação das emendas parlamentares”.
Em parecer, o PGR defendeu
medidas cautelares contra Fialek, afirmando que a representação está “encorpada
com significativos elementos”, incluindo depoimentos e análises policiais que
sugerem sua atuação ilícita no controle das indicações de emendas desviadas.
Segundo o procurador-geral da
República, Paulo Gonet, Fialek "desponta exercer o controle de indicações
desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto" em benefício de uma
organização criminosa voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a
administração pública e o sistema financeiro nacional.
Mariângela Fialek foi alvo da
Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do
ministro Flávio Dino, do STF. Segundo a ação, ela foi responsável pela
liberação de emendas parlamentares durante a presidência de Lira na Câmara, exercendo
papel central no esquema de distribuição de recursos do chamado “orçamento
secreto”.
A operação, que aponta
indícios de direcionamento por meio do controle dessas emendas, investiga a
possível atuação de Fialek em conjunto com uma organização criminosa que
direcionava recursos públicos de forma irregular. O esquema envolveria a
alocação de verbas sem transparência, com uso do mecanismo de emendas de
relator, cujos beneficiários e responsáveis não eram identificáveis.
Fialek, com formação em
Direito e quase duas décadas de experiência na assessoria legislativa, foi
responsável direta pela interlocução entre parlamentares e o presidente da
Câmara para atender pedidos de liberação de verba. Durante a gestão de Lira,
ela acumulou, inclusive, cargos nos conselhos fiscais da Codevasf e da Caixa
Econômica Federal, ambas ligadas a nomes indicados pelo centrão.
A investigação tenta rastrear
como essas emendas, originalmente destinadas à execução de políticas públicas
locais, teriam sido desviadas por um grupo que captava parte dos valores em
benefício próprio, configurando vantagem ilícita e enriquecimento indevido.A
defesa da ex-assessora de Lira negou irregularidades e afirmou que a atuação
dela sempre foi “técnica e apartidária”.
"Era responsável
tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do
que decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários
indistintamente (Colégio de Líderes). Sua atuação era estritamente técnica,
apartidária e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada
em cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal", diz a nota
assinada pelos advogados Luis Inácio Lucena Adams e Maria Claudia Bucchianeri
Os defensores acrescentam que
“todo o material de trabalho” dela é público.
“Todas as informações dali constantes, sobre indicações de emendas, são encaminhadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde podem também ser encontradas, além de serem publicadas no Portal da Transparência, tal como determinou o Supremo Tribunal Federal”
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