Especialista alerta para os
riscos de seguir dietas sem acompanhamento profissional qualificado.
A tecnologia, especialmente as
redes sociais e a Inteligência Artificial, tem facilitado o acesso da população
a informações e dicas sobre saúde, como alimentação. No entanto, a ausência de
legislação específica e de mecanismos eficazes de controle desses conteúdos
representa um risco à saúde pública, diante da disseminação de informações
incorretas ou sem embasamento científico.
Em alguns países, como a
China, já existem restrições ao compartilhamento de conteúdos relacionados à
saúde por criadores sem qualificação profissional. No Brasil, iniciativas
semelhantes avançam por meio do Projeto de Lei nº 5.990/2025, atualmente em
tramitação no Congresso Nacional, que busca regulamentar a divulgação de
orientações na área da saúde.
Uma prática que tem se tornado
comum nos últimos anos é a elaboração de dietas por meio de ferramentas de
Inteligência Artificial Generativa. Apesar de aparentarem soluções fáceis,
rápidas e de baixo custo, essas tecnologias se baseiam em conceitos genéricos e
não consideram aspectos essenciais, como o histórico do paciente, suas
condições de saúde ou estilo de vida.
Para Thais Melo, nutricionista
e docente do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau, em Juazeiro
do Norte, o compartilhamento indiscriminado de dicas e estratégias nutricionais
nas redes sociais pode confundir a população e trazer graves riscos à saúde.
“As dietas da moda geralmente não consideram as necessidades individuais do
paciente. Muitas delas são extremamente restritivas e podem causar deficiência
de nutrientes ou favorecer episódios de compulsão alimentar, já que promovem
restrições excessivas, fenômeno também conhecido como ‘efeito rebote’”, afirma.
Dessa forma, ao buscar
informações sobre alimentação na internet, é essencial priorizar conteúdos
produzidos por profissionais qualificados. Uma das principais medidas para
evitar problemas é verificar se o nutricionista possui registro ativo nos
órgãos responsáveis pela fiscalização do exercício profissional. No Ceará, o
Conselho Regional de Nutrição (CRN-11) disponibiliza ferramentas on-line para
consulta, nas quais é possível verificar o nome e o número de registro do
profissional.
"Outra recomendação
importante é estar atento ao tipo de conteúdo compartilhado. Informações sobre
estilo de vida e hábitos saudáveis podem ter caráter educativo e informativo;
no entanto, o atendimento nutricional deve ser um processo individualizado, que
envolve avaliação completa do paciente, considerando histórico clínico, exames
laboratoriais, rotina, preferências alimentares e necessidades
específicas", explica a professora.
Os planos alimentares devem
ser elaborados e acompanhados por profissionais capacitados, com base em
critérios científicos e personalizados. “Cada organismo possui necessidades
nutricionais específicas, que variam conforme idade, estado de saúde,
composição corporal e exames clínicos”, conclui Thais.

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