Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) acendeu o alerta vermelho para as autoridades de segurança pública e para os clubes de futebol cearenses. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e o Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor) apuram a interferência direta da facção Comando Vermelho (CV) na proibição de acordos de paz entre torcidas organizadas do estado.
A Estratégia do Crime: "Brecado por Ordem Superior"
De acordo com apuração do Diário do Nordeste e confirmada por serviços de inteligência, lideranças da facção criminosa de origem carioca emitiram "salves" (comunicados) proibindo que os integrantes das torcidas organizadas firmassem qualquer trégua.
Nas mensagens interceptadas, o crime organizado deixa claro o motivo da proibição: as brigas generalizadas atraem a atenção do Estado e intensificam a presença policial nas comunidades (as chamadas "quebradas"). Para a facção, a "desordem" causada pelas torcidas atrapalha a logística do tráfico de drogas e atrai o sistema prisional para dentro das áreas controladas por eles.
"Já que não sabem curtir sem trazer problema para a organização, sem trazer o sistema para dentro da quebrada e ainda por cima lotando as cadeias, briga de torcida está totalmente 'brecado' (proibido) dentro do Estado", dizia um dos comunicados interceptados pela polícia.
Cenário de Guerra no Clássico-Rei
A gravidade da situação ficou evidente no último Clássico-Rei, realizado no domingo (08/02). A operação integrada das Forças de Segurança resultou na captura de 357 pessoas envolvidas em confrontos, o maior registro da história para um evento deste tipo no Ceará.
Entre os detidos, muitos foram autuados por:
Associação criminosa;
Corrupção de menores (havia 113 adolescentes entre os capturados);
Lesão corporal e posse de artefatos explosivos artesanais.
Monitoramento e Punições
O MPCE, por meio do promotor Edvando França, coordenador do Nudetor, já havia aplicado suspensões recentes a torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza devido a brigas em vias públicas. No entanto, a investigação agora sobe de patamar ao tentar identificar lideranças de torcidas que acumulam cargos na hierarquia das facções.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que mantém o monitoramento ininterrupto e que as ações de inteligência foram reforçadas para impedir que o crime organizado utilize o futebol como massa de manobra para controle territorial.
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