Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com cerca de 9,3% da população convivendo com transtornos de ansiedade, o equivalente a mais de 18 milhões de pessoas. Após a pandemia, os casos de transtornos mentais aumentaram 25%, principalmente entre mulheres e jovens.
Mas e as crianças? Elas também enfrentam problemas relacionados à saúde mental. Segundo o relatório Situação Mundial da Infância 2021, do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), quase um em cada seis brasileiros entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental, grupo mais vulnerável a quadros como depressão, automutilação e suicídio.
A psicóloga da Hapvida, Glirsia Nunes (CRP 11/21652), alerta que mudanças de comportamento devem ser observadas com atenção. O isolamento, por exemplo, não deve ser encarado como algo esperado nessa fase da vida.
“Qualquer fala sobre não querer mais viver nunca deve ser ignorada. Perda de interesse por atividades, queda no rendimento escolar, irritação e agressividade são sinais de alerta”, afirma.
Outro fator de risco é a exposição excessiva às redes sociais, especialmente sem supervisão. Segundo a especialista, o ambiente digital pode intensificar problemas emocionais.
“As redes sociais expõem crianças e adolescentes à comparação constante, ao cyberbullying e à privação de sono, o que impacta diretamente o humor e a autoestima”, explica.
Ambiente digital
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei 15.211/25) estabelece regras e punições para plataformas digitais, com o objetivo de ampliar a proteção no ambiente on-line.
Apesar do avanço, a legislação não substitui o papel da família. Para Glirsia, a construção de um vínculo afetivo seguro é fundamental.
“É importante ir além de perguntas superficiais e criar espaço para conversas reais. Escutar sem julgamento e validar os sentimentos fazem diferença. Quando necessário, a busca por ajuda profissional é essencial”, orienta.
Sofrimento silencioso
O sofrimento psíquico em crianças e adolescentes, muitas vezes, não é verbalizado. Medo de julgamento, receio de preocupar os pais e o estigma em torno da saúde mental dificultam a busca por ajuda.
A psicóloga destaca que crianças com TDAH, autismo e dislexia têm maior risco de desenvolver ansiedade e depressão quando não há diagnóstico e acompanhamento adequados.
“O diagnóstico correto protege, não rotula”, afirma.
Ela também reforça que a saúde mental dos responsáveis impacta diretamente o bem-estar dos filhos.
“Cuidar de si é também cuidar das crianças”, diz.
Outro ponto importante, segundo a especialista, é o diálogo aberto sobre temas sensíveis. Falar sobre o tema não incentiva comportamentos de risco, ao contrário, abre espaço para o pedido de ajuda e acolhimento.
Para a psicóloga, o cuidado emocional na infância e adolescência influencia diretamente a vida adulta.
“Informação, escuta e acolhimento fazem a diferença. Crianças podem e devem fazer terapia. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores as chances de um desenvolvimento saudável”, conclui.

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