Projeto São Francisco poderá dobrar vazão de água enviada ao Ceará

 

Governo estadual aguarda autorização federal para ampliar envio de 5 para 10 m³/s pelo Eixo Norte - Foto: Carlos Marlon


O Governo do Ceará aguarda autorização do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para dobrar a vazão de água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) destinada ao Estado. O pedido formal da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) prevê o aumento do volume atualmente liberado, passando de 5 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 10 m³/s pelo Eixo Norte da transposição.


A ampliação é considerada estratégica para reforçar a segurança hídrica do Ceará, sobretudo diante da irregularidade histórica das chuvas no semiárido e das pressões crescentes por água para consumo humano e atividades produtivas.


Atualmente, a vazão opera de forma limitada por questões técnicas relacionadas ao sistema de bombeamento no trecho pernambucano do projeto. A expectativa do governo cearense é de que, com ajustes operacionais e autorização federal, o fluxo seja ampliado ainda neste primeiro semestre.


Impacto direto no Castanhão e no Cinturão das Águas

A água captada em Cabrobó (PE) segue pelo Eixo Norte até a Barragem de Jati, no Cariri cearense. A partir dali, é direcionada ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC), integrando-se ao sistema hídrico estadual e chegando ao Açude Castanhão, o maior reservatório do Estado.


Com a duplicação da vazão, o reforço hídrico beneficiaria tanto a Região Metropolitana de Fortaleza quanto o Vale do Jaguaribe, área com forte atividade agrícola irrigada. O Castanhão é peça-chave no abastecimento urbano e na sustentação de perímetros irrigados estratégicos para a economia cearense.


Especialistas avaliam que o aumento do volume permitiria maior previsibilidade na gestão dos reservatórios, reduzindo a necessidade de restrições mais severas em períodos de estiagem.


Tensão no Vale do Jaguaribe

O debate sobre vazões ocorre em meio a discussões recentes no Comitê da Bacia do Jaguaribe, que deliberou sobre ajustes na liberação de água para o Baixo Jaguaribe. A decisão gerou preocupação entre produtores do perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi, um dos principais polos de fruticultura do Nordeste.


A ampliação da água vinda do São Francisco é vista como alternativa para equilibrar o sistema, garantindo abastecimento humano — prioridade legal — sem comprometer totalmente a produção agrícola, que gera emprego e divisas para o Estado.


Segurança hídrica como política estrutural

O Projeto São Francisco é uma das maiores obras de infraestrutura hídrica do país e integra uma estratégia de interligação de bacias para reduzir os impactos das secas prolongadas no Nordeste. Para o Ceará, a transposição representa uma fonte complementar essencial, especialmente após as crises hídricas registradas na última década, quando os níveis do Castanhão chegaram a patamares críticos.


A eventual autorização para dobrar a vazão reforça a importância da articulação entre Estado e União na gestão dos recursos hídricos. Técnicos da área destacam que, além do volume disponível, fatores como evaporação, infiltração e capacidade operacional das estações elevatórias influenciam diretamente a eficiência do sistema.


A decisão final depende agora de avaliação técnica e administrativa do governo federal. Caso seja autorizada, a ampliação representará um novo capítulo na consolidação da transposição como instrumento permanente de segurança hídrica para o Ceará.

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