O Governo Federal espera para este mês um estudo técnico que pode redefinir o futuro do transporte ferroviário de passageiros no Nordeste. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está finalizando uma análise para avaliar a viabilidade de transformar trechos de ferrovias atualmente abandonados em linhas para passageiros, equipadas com veículos leves sobre trilhos ou sistemas similares.
A iniciativa surge após o Ministério dos Transportes confirmar a devolução à União de 3.001 quilômetros de malha ferroviária que deixaram de ser operacionais, administrados até então pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) nos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
De acordo com o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, a devolução desses trechos cria a oportunidade de reaproveitar um patrimônio histórico da infraestrutura regional e transformá-lo em benefício direto para a população local. “Estamos concluindo estudos para que possamos destinar esses trechos que não são operacionais para VLT [Veículo Leve sobre Trilhos], mobilidade urbana e outras destinações relevantes à sociedade brasileira”, afirmou o secretário.
Caminho para a mobilidade regional
A ideia não é apenas revitalizar trilhos parados, mas atrair investimentos privados por meio de um novo modelo de “chamados públicos”, um tipo de procedimento que busca engajar empresas e grupos interessados em recuperar a infraestrutura ferroviária. Segundo o ministério, já há sinais de interesse do setor privado em participar desse processo.
Especialistas ouvidos pelo governo defendem que a recuperação das ferrovias — integradas com sistemas de ônibus e outras formas de transporte — pode reduzir custos de deslocamento e contribuir para o desenvolvimento regional, especialmente em áreas onde opções de transporte são escassas ou insuficientes.
Perspectiva local e novos projetos
No Ceará, apenas a malha não operacional soma cerca de 600 km de trilhos, que cortam o estado de norte a sul, ligando Fortaleza ao interior, como Crato e outras cidades do Cariri. Além disso, há projetos em estudo pela Infra S.A. para implantar um trem regional entre Fortaleza e Sobral e expandir o serviço de VLT na região do Cariri, conectando cidades como Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte.
Para a FTL, a devolução dessa malha é vista como um passo estratégico para focar os investimentos na moderna operação de carga entre Fortaleza (CE) e São Luís (MA), um trecho com 1.237 km considerado essencial para o escoamento de produtos agrícolas e industriais.
O resultado do estudo do BID, previsto para ser divulgado nas próximas semanas, pode ser decisivo para transformar ferrovias que hoje estão largadas em corredores de mobilidade capazes de integrar cidades, estimular a economia local e ampliar o acesso da população ao transporte coletivo ferroviário.
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