Região concentra o maior número de reservatórios vertendo no Ceará, garantindo segurança hídrica e alívio para agricultores.
O cenário hídrico do Cariri cearense ganhou um novo capítulo de esperança nesta sexta-feira (13). O açude Valério, localizado no município de Altaneira, atingiu 100% da capacidade e voltou a sangrar após dois anos, tornando-se o quinto reservatório da região a transbordar em 2026 .
Construído em 1996, o Valério integra a Bacia do Alto Jaguaribe e tem capacidade para armazenar 1,84 hectômetro cúbico (hm³) de água. A última vez que o manancial havia sangrado foi em 25 de fevereiro de 2023. Nas quadras chuvosas de 2024 e 2025, o açude não conseguiu atingir 90% da capacidade, permanecendo abaixo do volume máximo nesses dois anos .
Os cinco reservatórios que já transbordam na região
Com a sangria do Valério, o Cariri passa a contabilizar cinco açudes vertendo simultaneamente. A lista inclui:
· Olho d'Água — Várzea Alegre
· Cachoeira — Aurora
· Mamoeiro — Antonina do Norte
· Rosário — Lavras da
Mangabeira
· Valério — Altaneira
O açude Rosário, em Lavras da
Mangabeira, começou a sangrar na manhã do dia 10 de março. Construído em 2001,
o reservatório tem capacidade para armazenar 47,22 hm³ e integra a Bacia do
Salgado, sendo um dos mais importantes para o abastecimento da região .
Cenário hídrico animador
A região do Cariri concentra
atualmente o maior número de reservatórios sangrando no Ceará. Dos 14 açudes
monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) que estão
vertendo no estado, cinco ficam no Cariri .
Os números refletem diretamente o impacto positivo das chuvas registradas nas últimas semanas em várias cidades da região. O fenômeno do sangramento ocorre quando o reservatório atinge 100% da sua capacidade e o excedente de água começa a transbordar pelo vertedouro, garantindo a perenização dos rios e o abastecimento para atividades agrícolas e consumo humano .
Expectativa para novos
sangramentos
A tendência é que o número de açudes sangrando no Cariri aumente nos próximos dias, caso as precipitações continuem dentro da média histórica para o mês de março, tradicionalmente o mais chuvoso da quadra invernosa no semiárido cearense .
De acordo com dados da Cogerh, o volume total acumulado nos reservatórios monitorados em todo o estado já ultrapassa os 40%, um índice animador para o início do semestre. No entanto, a própria Companhia alerta que os grandes reservatórios — como Castanhão, Orós e Banabuiú — ainda aguardam aportes mais significativos para sair da zona de atenção .
O diretor de Operações da
Cogerh, Tércio Tavares, ressalta que, embora fevereiro tenha registrado
precipitação ligeiramente acima da média, o acumulado de janeiro e fevereiro
ainda apresenta déficit de cerca de 13,5%. A recomendação é que a população mantenha
o uso consciente da água, pois a distribuição das chuvas ainda é irregular e o
estado precisa garantir reservas estratégicas para o período de estiagem que
virá após o mês de maio .
Por enquanto, o espetáculo da natureza pode ser apreciado por quem passa próximo aos açudes do Cariri, que oferecem não apenas segurança hídrica, mas também beleza cênica em meio à paisagem típica do semiárido nordestino.
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