Maio roxo: no Brasil, doenças inflamatórias intestinais cresceram 15% em oito anos

 

Como hábito de prevenção, nutricionista recomenda reduzir alimentos industrializados e investir nos naturais


Maio Roxo é o mês de campanha de conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), em que o objetivo é incentivar as pessoas ao conhecimento, promover o diagnóstico precoce e reduzir o medo do diagnóstico. De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, as doenças inflamatórias intestinais cresceram 15% ao ano no Brasil entre os anos 2012 e 2020.


O gastroenterologista e docente do Instituto de Educação Médica - IDOMED, Luiz Ricardo, destaca que é importante identificar os primeiros sintomas da doença o mais cedo possível. “Os principais sinais são: dor, perda de peso, alteração intestinal e eliminação de sangue nas fezes de forma repetida”. O médico explica que,  quando falamos sobre doenças inflamatórias intestinais, estamos abordando basicamente duas condições crônicas: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. A doença de Crohn pode acometer da boca ao ânus, embora na maioria das vezes afete mais o cólon (intestino grosso) e o íleo, a porção final do intestino delgado, com áreas afetadas alternadas com áreas sadias, e também pode apresentar fístulas e lesões perianais. A retocolite afeta apenas o intestino grosso (cólon e reto) e tem uma inflamação contínua, apresentando ainda mais frequentemente sangue e muco nas fezes.  


Quando o paciente está em crise, existem alimentos que devem ser evitados, pois podem dificultar a absorção e digestão, piorando o quadro de saúde. A nutricionista e coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Estácio, Keyvila Dinara, adverte que “os principais gatilhos são as fibras insolúveis, como: casca de frutas, sementes, folhosos crus, cereais integrais, alimentos gordurosos, frituras, condimentos picantes, cafeína e também laticínios (em virtude do carboidrato lactose) devido a má absorção, que pode ser temporária ou não, dependendo de um paciente para outro”. 


Alimentos ultraprocessados e inflamação intestinal

Dr. Luiz Ricardo ressalta que “as causas dessas doenças são complexas e o que a gente conhece é uma interação de vários fatores genéticos, alterações da microbiota (flora intestinal), ambientais, alimentares e infecciosos. O principal fator que deflagra essas doenças é a interação entre a microbiota, as bactérias benéficas do intestino e o sistema imune do indivíduo. 

Alimentação industrializada, rica em ultraprocessados, sedentarismo e estresse crônico. Isso tudo tem influência nessa microbiota e adoece o paciente”, alerta.  

Os alimentos ultraprocessados vão além de hambúrgueres e refrigerantes. Segundo a Nutricionista Keyvila, “são aqueles ricos em aditivos, corantes, conservantes e emulsificantes, que alteram a microbiota intestinal. Esses produtos podem romper a barreira protetora do intestino, o que vai aumentar a permeabilidade e favorecer os processos inflamatórios. Além disso, esses alimentos atrasam nossa microbiota intestinal, pois são pobres em nutrientes que são essenciais para a regeneração da mucosa intestinal”, esclarece.

Prevenção e autocuidado devem ser redobrados para continuar com a saúde em dia. Segundo Dr. Luiz Ricardo, manter hábitos saudáveis fazem a diferença. “Diminuir o consumo de ultraprocessados, alimentos industrializados, ricos em carboidratos refinados, visando manter uma hábito intestinal saudável, controle ambiental do estresse da forma que for possível e evitar o sedentarismo. Ter a microbiota mais saudável ajuda a manter o controle da doença e a haver uma incidência menor”.

Outras dicas simples são: cuidar da alimentação, não só a comida em si, mas comer em pequenas refeições, para não sobrecarregar o sistema digestivo, mastigar bem os alimentos e ter hidratação constante, bebendo água nos intervalos das refeições.

Cada indivíduo é único, com suas restrições e sintomas. O que é indicado  para um, pode não servir para o outro, Por isso, buscar assistência multidisciplinar auxilia na identificação, tratamento e remissão das doenças, ajudando na qualidade de vida do paciente.

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