Foto: Reprodução Gerson de Melo Machado — conhecido como “Vaqueirinho” —, de 19 anos, morreu neste domingo (30/11) após invadir a jaula de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa (PB). A tragédia reacende o debate sobre acolhimento em saúde mental e segurança em espaços públicos.
Como ocorreu o incidente:
Testemunhas e vídeos registrados no local mostram o jovem escalando um muro de cerca de seis metros e superando as grades de segurança do zoológico. Em seguida, ele desceu por uma árvore até o recinto onde estava a leoa, identificada como Leona. Poucos segundos depois de entrar no recinto, ele foi atacado pela leoa.
O laudo divulgado pelo Instituto Médico Legal de João Pessoa (IML) apontou que a causa da morte foi choque hemorrágico provocado por perfurações em vasos cervicais — provavelmente resultado das mordidas do animal.
Quem era “Vaqueirinho:
De acordo com relatos de profissionais que o acompanharam, Gerson vivia sob forte vulnerabilidade social desde a infância. Ele foi afastado da mãe ainda criança — que sofria com esquizofrenia — e criado pelo sistema de acolhimento.
Desde a infância, apresentava sinais de transtornos mentais e foi diagnosticado com esquizofrenia — porém, conforme apurado, o acompanhamento necessário nunca foi adequado.
A conselheira tutelar que o acompanhou por anos relatou que o jovem nutria o sonho de, um dia, viajar à África para cuidar e domar leões — uma fantasia recorrente em suas falas e comportamentos.
Além disso, Gerson já acumulava diversas passagens pela polícia: conforme autoridades locais, eram cerca de 16 registros — 10 quando ainda era menor de idade.
Recentemente, a Justiça havia determinado sua internação psiquiátrica, mas ele estava solto desde sexta-feira (28/11).
O que se sabe sobre o parque e o animal
Após o ataque, o Parque Zoobotânico Arruda Câmara foi fechado temporariamente. A direção do zoológico informou que, de acordo com as normas técnicas, não há indicação para a eutanásia da leoa Leona — que, apesar do estresse vivido, será mantida sob observação e cuidados especializados.
Reflexões e críticas: falhas em saúde mental e proteção social
O caso reacende questionamentos severos sobre o descaso sistemático com pessoas com transtornos mentais graves. Para a conselheira tutelar que acompanhava Gerson, trata–se de uma “tragédia anunciada” — segundo ela, com tratamento e acompanhamento adequados, ele possivelmente não teria terminado daquela forma.
Vários especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam a urgência de investir em políticas de saúde mental, com atendimento efetivo, acesso ao tratamento e acompanhamento contínuo, para evitar novos desfechos trágicos como este.
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