A vítima foi morta em dezembro do ano passado.
O Ministério Público do Ceará
(MPCE) apresentou, nesta sexta-feira (9), uma denúncia contra Diego Almeida
Castro, acusado de matar a psicóloga Karine Gonçalves Luciano Barros, em
dezembro do ano passado, em Missão Velha, no Interior do Ceará.
O crime foi cometido após uma
série de desentendimentos sobre a guarda do filho do casal, que evoluiu para
ameaças de morte, conforme a denúncia da entidade.
No dia 12 de dezembro de 2025,
Diego, acompanhado de um comparsa não identificado, aproximou-se por trás da
vítima enquanto ela saía de casa numa motocicleta e efetuou três disparos de
arma de fogo, causando-lhe morte imediata. Ele foi preso em flagrante.
Diego vai responder por
feminicídio, com as qualificadoras de ter utilizado meio cruel e recurso que
dificultou a defesa da vítima.
“O MP do Ceará requer que ele
seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e que seja fixada indenização
pelos danos causados”, informou ainda o MPCE.
BRIGA PELA GUARDA
O Diário do Nordeste noticiou
em dezembro do ano passado que, em outubro daquele mesmo ano, Karine registrou
um boletim de ocorrência contra Diego. Na ocasião, ele levou a filho para sua
casa e não retornou com a criança para a residência da mãe, com quem o garoto
morava.
Após o homicídio, a polícia
teve acesso ao celular da psicóloga, onde foram encontradas mensagens de
WhatsApp enviadas pelo homem com ameaças, sugerindo "guerra" e até
"morte".
Trechos de conversas entre os
dois mostram discussões recorrentes sobre a divisão de tempo com a criança. Em
uma das mensagens, Diego chega a afirmar que não irá cumprir uma eventual
decisão judicial que impusesse horários para visitar o filho.
"Eu não vou mais estar
aqui lhe respondendo suas loucuras ou afirmando 1001 vez q ele fica somente
cmg. E repeto que tirar ele de mim p dxar c sua mãe isso nunca vc vai conseuir
fazer nem q p isso nos se mate", dizia a mensagem de Diego para a
ex-companheira.
As discussões eram constantes
sobre horários de entrega da criança e a divisão dos dias em que o pequeno
ficava com a mãe ou com o pai. Em uma das conversas, o suspeito de feminicídio
reforça que não iria obedecer a Justiça. "Eu vou pegar meu filho todo fim
de semana e não será vc, muito menos sua família e a tal da justiça que irá
ipor (sic) horários! E ponto final".
De acordo com um depoimento de um familiar de Karine, o casal estava tendo desavenças por conta da guarda do filho. O menino morava com a mãe, porém não havia certos sobre pensão e a guarda estava sendo deliberada judicialmente.
Histórico de agressões
Diego e Karine tiveram um
relacionamento de aproximadamente cinco anos. Segundo familiares ouvidos pela
Polícia, os dois se separaram há cerca de um ano. A família da psicóloga afirma
que a mulher teria sido vítima de violência doméstica, com o aparecimento de
marcas de agressão pelo corpo.
De acordo com depoimento de um
familiar da Karine, ela tinha medo do ex-companheiro e que já teria sofrido
agressões físicas e verbais de Diego. Outro familiar disse que Diego
apresentava sinais de uma pessoa violenta, que presenciou o suspeito em posse
de uma arma em casa e que já viu a vítima com marcas vermelhas no corpo quando
casada.
Apontado por testemunhas como
o autor do crime, agentes da Polícia Militar encontraram o homem em sua
residência e o conduziram à delegacia para lavrar o flagrante. Ele foi
identificado por uma testemunha como sendo um dos homens na moto. De acordo com
depoimento, ele estaria com a viseira levantada e, por isso, foi possível a
identificação.
Diego morava a cerca de 300
metros do local do assassinato da psicóloga e, ao ser ouvido na delegacia,
negou a autoria do crime. De acordo com ele, Karine teria problemas com a
família por conta de uma possível herança e também no trabalho. No entanto, não
soube repassar mais detalhes. As informações foram negadas pela família.
A Polícia Civil solicitou à
Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva contra ele. A
autoridade policial também representou pela autorização para acesso, extração e
análise dos dados do telefone celular do autuado para subsidiar o inquérito
policial criminal.
Como
denunciar violência contra a mulher
Legenda: Assassinada, Karine Gonçalves Luciano Barros tinha 39 anos e deixa um filho de anos
Em todo o Brasil, há uma rede de proteção à mulher vítima
de violência, com mecanismos que vão desde Delegacias Especializadas no
Atendimento à Mulher até espaços de acolhimento como a Casa da Mulher
Brasileira.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados às
autoridades mediante diversos canais. Em caso de emergência ou para buscar ajuda,
utilize os seguintes meios:
Ligue 180 (Central de Atendimento
à Mulher): Serviço nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da
semana, e é gratuito.
Ligue 190 (Polícia Militar):
Em situações de flagrante ou emergência.
Procure uma Delegacia de
Defesa da Mulher (DDM): Para registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar
medidas protetivas de urgência, amparadas pela Lei Maria da Penha.
Postar um comentário