Ceará já teve 23 senadores desde a redemocratização; eleição de 2026 deve ter disputa ampla

FOTO: REPRODUÇÃO

As eleições de 2026 devem trazer uma disputa acirrada pelas duas vagas do Senado Federal que estarão em jogo no Ceará. Atualmente, pelo menos 14 nomes são apontados como pré-candidatos ao cargo, reunindo tanto políticos experientes quanto nomes que nunca exerceram mandato.

Entre os possíveis candidatos estão lideranças com longa trajetória na política, como o deputado Eunício Oliveira (MDB), ex-presidente do Senado, e o líder do governo Lula na Câmara, José Guimarães (PT). Também aparecem nomes que ainda não ocuparam cargos eletivos, como o General Theóphilo, ligado ao partido Novo, e o secretário da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira.

Cenário semelhante a eleições anteriores

O atual cenário repete um padrão observado em outras disputas ao Senado no Ceará, nas quais candidatos sem experiência política também conseguiram se eleger.

Um exemplo é o senador Eduardo Girão (Novo), que ocupa atualmente uma das cadeiras do estado e que encerra em 2026 o primeiro mandato de sua carreira política.

Já o senador Cid Gomes (PSB), que também conclui mandato no próximo ano, possui uma trajetória mais extensa na política. Ele já foi prefeito de Sobral, presidente da Assembleia Legislativa e governador do Ceará, além de exercer atualmente o mandato no Senado.

Senadores do Ceará desde a redemocratização

Desde o processo de redemocratização do Brasil, iniciado em 1985, ao menos 23 parlamentares cearenses já ocuparam cadeiras no Senado Federal, conforme levantamento realizado pelo portal PontoPoder, do Diário do Nordeste.

Desse total, apenas 13 já tinham exercido cargos políticos antes de assumir o mandato de senador, enquanto outros chegaram ao cargo sem experiência prévia em mandatos eletivos.

Ao longo desse período, a representação partidária no Senado variou conforme o contexto político nacional e estadual. Entre os partidos com maior presença na bancada cearense estão o PSDB e o PDT, que tiveram forte influência política em diferentes momentos das últimas décadas.

No entanto, nas eleições de 2022, nenhuma dessas duas siglas conseguiu eleger representantes do Ceará para o Senado.

Bancada atual

Atualmente, a bancada cearense no Senado é formada por Cid Gomes (PSB), Eduardo Girão (Novo) e Augusta Brito (PT), que ocupa a vaga como suplente do ministro da Educação Camilo Santana (PT), eleito senador em 2022.

A presença desses partidos no Senado pelo Ceará também é relativamente recente. O PSB, por exemplo, ocupa apenas a segunda cadeira do estado desde a redemocratização, enquanto o PT chegou ao terceiro mandato na Casa com Camilo Santana. Já Eduardo Girão é o primeiro senador do partido Novo eleito pelo Ceará.

Primeira eleição após a ditadura

O primeiro pleito após o fim da Ditadura Militar ocorreu em 1986, quando duas cadeiras do Senado foram disputadas em cada estado. Na época, o Ceará era representado por Virgílio Távora (PSD), que já ocupava um dos mandatos, além dos eleitos Cid Saboia de Carvalho (PMDB) e Mauro Benevides (MDB).

Mauro Benevides se destacou posteriormente ao presidir o Senado entre 1991 e 1993, período em que conduziu o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

Hegemonia do PSDB nos anos 1990

Nos anos 1990, o PSDB passou a dominar a representação cearense no Senado, iniciando uma sequência de vitórias eleitorais.

O primeiro a conquistar a cadeira foi Beni Veras, eleito em 1990. Posteriormente, nas eleições de 1994, o partido ampliou sua força ao eleger Lúcio Alcântara e Sérgio Machado.

Lúcio Alcântara já possuía uma longa carreira política antes de chegar ao Senado. Ele havia sido prefeito de Fortaleza, deputado federal e vice-governador do Ceará. Após a passagem pelo Congresso, Alcântara voltou à política estadual e foi eleito governador do Ceará em 2002.

A tentativa de reeleição, porém, terminou em derrota para Cid Gomes, então filiado ao PDT, que venceu a disputa para o governo estadual em 2006.

Com a eleição de 2026 se aproximando e duas vagas em disputa, a expectativa é que o Ceará volte a registrar uma disputa ampla e competitiva pelo Senado, envolvendo diferentes forças políticas do estado.

 

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem