A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, na madrugada desta segunda-feira (23), expõe mais um caso de violência letal contra a mulher — desta vez envolvendo um agente de segurança pública. O autor do crime foi o namorado da vítima, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que, após efetuar os disparos, tirou a própria vida.
O crime ocorreu por volta de 1h, na residência de Dayse, no bairro Caratoíra. Segundo informações da Prefeitura de Vitória, a comandante foi atingida por cinco tiros na cabeça, o que reforça a linha investigativa de execução. O pai da vítima estava na casa e relatou ter acordado com o primeiro disparo.
De acordo com o delegado Fabrício Dutra, do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), os indícios apontam para feminicídio — crime caracterizado pela morte de uma mulher em contexto de violência doméstica ou de gênero.
Informações repassadas pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, indicam que o suspeito utilizou uma escada para invadir o imóvel e chegou a arrombar a porta do quarto da vítima antes de cometer o crime, o que sugere premeditação e escalada de violência.
A Polícia Rodoviária Federal informou que Diego Oliveira de Souza atuava em Campos dos Goytacazes (RJ) e ingressou na corporação em 2020. O envolvimento de um agente de segurança no crime amplia o debate sobre controle emocional, acesso a armas e protocolos internos das instituições.
Os celulares da vítima e do autor serão submetidos à perícia, com o objetivo de esclarecer a motivação do crime. A investigação ficará a cargo da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.
Dayse Barbosa foi a primeira mulher a assumir o comando da Guarda Municipal da capital capixaba, ocupando um espaço historicamente dominado por homens. Sua morte gera forte comoção e levanta questionamentos sobre a persistência da violência de gênero, inclusive em ambientes institucionais.
A comandante deixa uma filha. O caso reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes no combate ao feminicídio e na proteção de mulheres, inclusive aquelas que atuam na linha de frente da segurança pública.
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