Guajá-do-araripe: caranguejo que só existe no Cariri está em risco crítico de extinção

 

Foto: Reprodução

Um artigo publicado por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) aponta que mais um animal que existe apenas no Cariri cearense pode desaparecer nos próximos anos.

 

Descrito pela primeira vez em 2016, em Barbalha, o caranguejo guajá-do-araripe (Kingsleya attenboroughi) vive em regiões próximas a córregos e rios e está em risco grave de extinção, ameaçado principalmente pela poluição e pela possível fragmentação do habitat natural.

 

Publicado na revista Studies on Neotropical Fauna and Environment em novembro do ano passado, o artigo de autoria dos pesquisadores Lucineide Lima, Carlito Alves do Nascimento, Allysson Pinheiro e Carlos Eduardo Alencar descreve as principais características do caranguejo e o impacto da ação humana em parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, que abrange 15 municípios cearenses. 

 

Segundo Lucineide Lima, professora, mestre em Bioprospecção Molecular e autora principal do artigo, foram encontrados guajás-do-araripe em apenas quatro dos 27 pontos de córregos e rios analisados na região, o que aponta para o risco e sugere uma forte pressão antrópica.

 

“Ele está sofrendo essa pressão antrópica pela presença de pasto, de canalização das estações amostrais, pela presença de lixo e também pelo assoreamento. Às vezes, o pessoal coloca terra dentro do córrego e isso pode diminuir a quantidade de animais, porque vai diminuir o local que ele vai colonizar”, explica a pesquisadora. 

 

Além disso, questões próprias da espécie, como a baixa taxa de reprodução de caranguejos de água doce, podem ser determinantes para que os poucos espécimes do animal (o primeiro trabalho localizou apenas 25 deles e um segundo, ainda não publicado, apenas cerca de 40) sejam extintos em algumas décadas.

 

“Tem espécies de caranguejo de água salgada que têm milhões de ovos numa mesma ninhada; os caranguejos de água doce têm os ovos maiores e em menor quantidade. Então, pode ser uma característica da espécie, mas junto com essa característica, esse impacto ambiental vai fazer com que o declínio seja mais rápido”, lamenta Lucineide. 

 

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem