O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo, investigado por participação em um esquema de vazamento de dados fiscais sigilosos envolvendo ministros da Corte e outras autoridades públicas.
A prisão foi confirmada pelo STF neste sábado (21). Segundo a Polícia Federal, Washington é apontado como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”.
De acordo com documentos do governo do Rio de Janeiro, o contador foi preso no último dia 13 e inicialmente encaminhado ao presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da capital. Posteriormente, foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, após abertura de vagas no sistema prisional.
A defesa do investigado não se manifestou.
A prisão ocorre no contexto de uma operação deflagrada pela Polícia Federal no início de março, que teve como alvo um grupo suspeito de acessar ilegalmente informações fiscais de autoridades. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisões temporárias.
As investigações indicam que servidores teriam violado o sigilo fiscal de ministros do STF e de seus familiares. No caso de Washington, há a suspeita de atuação na coordenação do esquema. Segundo informações divulgadas, ele teria admitido o acesso indevido aos dados.
Em nota, o STF informou que a prisão foi realizada no dia 14 e que a audiência de custódia ocorreu no mesmo dia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o esquema envolveu o acesso a declarações de Imposto de Renda de 1.819 contribuintes.
Entre os alvos estariam ministros do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras figuras públicas.
Segundo a Corte, houve download de informações protegidas por sigilo fiscal, o que agrava a gravidade do caso e levanta preocupações sobre a segurança de dados sensíveis dentro da administração pública.
Washington Travassos possui registro ativo como contador no Conselho Federal de Contabilidade e mantém empresas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.
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