A musicoterapia tem conquistado cada vez mais espaço como aliada no atendimento multidisciplinar de crianças neurodivergentes.
Utilizando a música como instrumento terapêutico, a prática auxilia no desenvolvimento da comunicação, da interação social, da regulação emocional e de diversas habilidades cognitivas, complementando tratamentos realizados por profissionais da fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e outras áreas da saúde.
Diferentemente das aulas de música tradicionais, a musicoterapia não tem como objetivo ensinar instrumentos ou formar músicos. A proposta é utilizar elementos musicais, como sons, ritmos, canto e improvisação, para promover bem-estar, estimular funções neurológicas e contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.
Benefícios para pessoas neurodivergentes
Segundo o musicoterapeuta e professor da pós-graduação em Arteterapia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Glairton Santiago, a prática cria um ambiente seguro que favorece a adaptação gradual aos estímulos sensoriais, especialmente para pessoas que apresentam sensibilidade auditiva.
De acordo com o especialista, a terapia respeita os limites individuais de cada paciente, permitindo que ele avance progressivamente em seu processo de adaptação e desenvolvimento.
Além de pessoas autistas, a musicoterapia também é indicada para indivíduos com altas habilidades, síndrome de Down, deficiência intelectual, pacientes que sofreram AVC e pessoas com outras condições neurológicas.
Estimulação precoce potencializa resultados
Embora possa ser utilizada em qualquer fase da vida, a musicoterapia apresenta resultados especialmente relevantes na infância. Isso acontece devido à neuroplasticidade cerebral, capacidade que o cérebro possui de criar novas conexões e desenvolver aprendizados de forma mais intensa nos primeiros anos de vida.
Entre os benefícios observados estão avanços na comunicação verbal e não verbal, melhora da atenção, aumento da interação social, fortalecimento de habilidades emocionais e maior motivação para participar das atividades terapêuticas.
Segundo Glairton Santiago, a música também estimula o sistema dopaminérgico, relacionado à sensação de prazer e satisfação, tornando as sessões mais atrativas para as crianças.
Como funcionam as sessões
As sessões podem ser realizadas individualmente ou em grupo e são adaptadas às necessidades de cada paciente.
As atividades geralmente incluem:
- Improvisação musical com instrumentos e sons;
- Recriação e interpretação de músicas;
- Composição espontânea;
- Audição de músicas selecionadas para relaxamento e estímulo emocional.
A previsibilidade presente nos elementos musicais também é considerada um fator positivo, contribuindo para a organização temporal e oferecendo um ambiente confortável para pessoas neurodivergentes.
Crescimento da prática terapêutica
Com resultados cada vez mais reconhecidos por profissionais da saúde e familiares, a musicoterapia vem ampliando sua atuação em clínicas, escolas, hospitais, instituições sociais e programas de reabilitação.
Além do aspecto terapêutico, a prática também favorece a construção de vínculos, o desenvolvimento da autoestima e a ampliação das possibilidades de expressão de crianças, adolescentes e adultos.
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