Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 têm provocado um efeito direto no setor elétrico brasileiro: o aumento dos cortes na geração de energia renovável, prática conhecida como curtailment.
O procedimento é adotado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) quando a produção de energia supera o consumo, evitando sobrecarga na infraestrutura de transmissão.
Durante as partidas do Brasil, boa parte das atividades comerciais e industriais é reduzida, diminuindo significativamente a demanda por energia e obrigando o sistema a limitar a geração das usinas.
Ceará registrou aumento nas restrições
Na última segunda-feira (29), quando o Brasil enfrentou o Japão pelas oitavas de final da Copa, as usinas renováveis brasileiras deixaram de gerar 20 gigawatts de energia.
No Ceará, o impacto foi expressivo: 21,4% da energia renovável prevista deixou de ser produzida, o equivalente a 318 MW médios (MWmed).
Para efeito de comparação, no dia 22 de junho, as restrições haviam atingido apenas 72 MWmed, correspondendo a 5,4% da geração prevista.
Queda no consumo
Segundo o ONS, a partida contra o Japão provocou a maior redução de consumo registrada desde o início da Copa.
A demanda por energia caiu 21% em relação a um dia normal. No jogo anterior, contra a Escócia, a redução havia sido de 14,4%.
Após o apito final, ocorreu também a maior retomada de consumo observada até agora durante o torneio.
Em apenas uma hora, a carga elétrica aumentou 12.784 MW, volume equivalente ao consumo conjunto dos estados de Minas Gerais e Paraná.
Desafio da transição energética
Especialistas afirmam que o cenário evidencia um dos principais desafios da expansão das fontes renováveis.
A sócia da Energo Soluções em Energias, Marília Brilhante, explica que o crescimento da geração precisa ser acompanhado por investimentos em transmissão e armazenamento.
"Esses cortes são uma medida de segurança e mostram um desafio da transição energética. Estamos ampliando rapidamente a geração renovável, mas ainda precisamos investir em transmissão, armazenamento e maior flexibilidade."
Além da ampliação da rede elétrica, especialistas defendem o fortalecimento de tecnologias de armazenamento para reduzir perdas e aproveitar melhor a energia produzida.
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