Moradores da Vila dos Mestres, no Sítio Santa Rosa, zona rural do Crato, denunciam constantes problemas no fornecimento de energia elétrica e afirmam que os apagões têm causado prejuízos financeiros e transtornos à comunidade.
Segundo os moradores, um curto-circuito em um transformador ocorrido na noite do último sábado (18) deixou mais de 30 residências sem energia por mais de um dia. A comunidade, localizada próxima ao Anel Viário e ao acesso para o Distrito Industrial de Juazeiro do Norte, relata que interrupções no fornecimento são frequentes e, em alguns casos, chegam a durar dois ou três dias.
A moradora Fernanda contou que entrou em contato com a concessionária ainda na manhã de domingo (19), mas a equipe de manutenção só teria chegado durante a madrugada de segunda-feira (20).
Após o restabelecimento da energia, diversos aparelhos apresentaram defeito. Segundo ela, foram danificados uma geladeira, um ventilador, um carregador de celular e toda a iluminação da residência. Além disso, alimentos armazenados na geladeira foram perdidos.
Fernanda afirma que procurou a concessionária para solicitar o ressarcimento dos prejuízos, mas foi informada de que precisaria apresentar um laudo técnico particular comprovando os danos.
"Eles disseram que eu tinha que pagar um técnico para fazer um laudo pericial para eles conseguirem me ressarcir. Eu não tenho condições de pagar esse técnico. Toda vida é isso. Já é a segunda vez. Não está com um ano. Isso aconteceu também. A geladeira queimou. Mais de mil reais para consertar. Eu não tinha condições de consertar. Porque eu sou mãe de autista. Eu precisei de ajuda para consertar e a Enel não deu nenhuma atenção para mim", relatou.
Outra moradora informou que as oscilações de energia queimaram equipamentos utilizados nos cuidados com a mãe, que é acamada. Entre os prejuízos estão o motor da cama hospitalar elétrica, além de uma televisão e um ventilador.
O morador conhecido como Zezé Bahia também afirmou ter perdido alimentos após a interrupção do fornecimento de energia.
"Arrumei 100 reais emprestados. Comprei uns pedacinhos de carne. Faltou a energia. Fiquei esperando que chegasse. Quando foi, jogou no mato. Estava tudo podre. Não ia comer carniça", disse.
Além dos prejuízos materiais, os moradores reclamam da demora no atendimento e afirmam que a rapidez para interromper o fornecimento por inadimplência não é a mesma quando há necessidade de manutenção na rede elétrica.
"Se pelo menos quando a gente ligasse eles viessem. Eles não estão nem aí para nós", afirmou outra moradora.
A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação da Enel Ceará sobre as reclamações apresentadas pelos moradores.
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