Anvisa autoriza importação excepcional de medicamento inédito para tratamento de Lito Sousa


Foto: Reprodução


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação excepcional do medicamento ALN-6457 para o tratamento de Lito Sousa, que enfrenta a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e de rápida progressão.


A autorização permite que o medicamento seja importado para uso no caso específico. O tratamento é considerado experimental para a doença e ainda não passou por estudos clínicos formais em seres humanos para essa indicação.


A decisão da Anvisa ocorre após mobilização de familiares, seguidores e pessoas que acompanham o caso de Lito.


O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade rara e grave causada por príons, proteínas que assumem uma estrutura anormal e podem induzir outras proteínas a também se dobrarem de maneira incorreta.


Esse processo provoca danos progressivos ao tecido cerebral e está associado à perda acelerada de neurônios.


Entre os sintomas estão demência de evolução rápida, alterações de comportamento, tremores, rigidez muscular e perda de coordenação motora.


A doença costuma apresentar evolução agressiva. Segundo os dados citados no caso, aproximadamente 90% dos pacientes no Brasil evoluem para óbito entre seis e 12 meses após o início dos sintomas.


Entre 2005 e 2021, foram registrados 547 casos confirmados no Brasil.


Como funciona o ALN-6457

O ALN-6457 foi desenvolvido para atuar sobre a produção da proteína relacionada à doença. A proposta é reduzir a quantidade dessa proteína produzida pelas células, interferindo em um gene responsável por sua produção.


A estratégia parte da hipótese de que diminuir a produção da proteína poderia reduzir a progressão do processo associado à doença.


No entanto, o medicamento ainda está em estágio pré-clínico para esse tipo de enfermidade. Isso significa que sua eficácia e segurança para pacientes com Creutzfeldt-Jakob ainda não estão estabelecidas por estudos clínicos específicos.


Por isso, não é possível prever como o organismo de Lito responderá ao tratamento ou qual poderá ser seu efeito sobre a evolução da doença.


Decisão da Anvisa

Segundo a Anvisa, a autorização considerou a evolução rápida e irreversível da doença e a ausência de alternativas terapêuticas.


A autorização de importação excepcional não significa que o medicamento tenha sido aprovado como tratamento regular para a doença. Trata-se de uma autorização para utilização em uma situação específica.


A decisão também gerou discussões nas redes sociais, com questionamentos sobre a adoção de medidas semelhantes em casos de outros pacientes.


Para Lito e sua família, entretanto, a autorização representa uma possibilidade de tratamento diante de uma doença para a qual as opções terapêuticas são extremamente limitadas.

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