Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, no 20º Encontro Brasileiro de Segurança Pública — Foto: Cíntia Acayaba/g1
Secretaria Nacional de Justiça classifica menção ao país em documento sobre facções criminosas como comentário lateral e sem respaldo técnico.
Por Redação
18/09/2026
O governo brasileiro manifestou forte surpresa diante de um relatório oficial divulgado pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, que aponta supostas falhas do Brasil no enfrentamento a facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo, a secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, avaliou que o documento carece de embasamento legal. Embora o texto enviado ao Congresso norte-americano rotule os grupos brasileiros como ameaças globais e afirme que o país falhou em contê-los, a pasta apontou que a citação desconsidera os parâmetros de enquadramento internacional.
Ausência de critérios objetivos
De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil sequer figura entre os 23 países listados formalmente pelo governo americano como principais produtores ou rotas centrais de tráfego de entorpecentes. Para a secretária, a inclusão do país no escopo do documento carece de sustentação jurídica.
"O Brasil não consta [na lista dos 23 estados]. O que causa perplexidade nesse documento é que não havia razão para citar o Brasil. Parece uma menção lateral [...] sem um aprofundamento maior. Em termos de consistência jurídica, não há nenhuma", destacou Maria Rosa.
A avaliação interna do governo brasileiro é de que o relatório possui um caráter estritamente interno e opinativo dos Estados Unidos. Por essa razão, a administração federal avaliou que uma resposta oficial institucional seria desnecessária, evitando conferir peso político desproporcional a uma citação pontual.
Esforços e combate ao crime organizado
Em contraponto às acusações da Casa Branca — que alegou que as organizações brasileiras transformaram o país em um polo para o fluxo global de cocaína —, a Secretaria pontuou que as forças de segurança atuam de forma contínua e massiva.
A pasta ressaltou que o país acumula milhares de investigações em andamento, operações coordenadas, apreensões expressivas e forte cooperação no âmbito da inteligência internacional, além de contar com marcos regulatórios recentes, como a Lei Antifacção.
O relatório anual entregue por Washington ao Legislativo americano também mapeou mudanças na geopolítica e cobrou posturas de governos da América do Sul, gerando debates entre diplomatas sobre os critérios e o direcionamento da política externa dos EUA na região.
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