A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) deve voltar a receber água dos maiores reservatórios do Ceará, os açudes Castanhão e Orós, em uma operação emergencial definida por especialistas em recursos hídricos. A medida foi aprovada em reunião técnica promovida nesta quarta-feira pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), em Quixadá, diante das incertezas sobre o volume de chuvas esperado para o primeiro semestre de 2026.
Desde 2019, o abastecimento da capital cearense vinha sendo sustentado apenas pelos sistemas metropolitanos sem a necessidade de grandes transferências externas. No entanto, os recentes prognósticos climáticos apontam uma elevada probabilidade de chuvas abaixo do normal, o que motivou a retomada do uso das reservas dos grandes açudes.
Segundo a Cogerh, o plano emergencial prevê a liberação de 16 mil litros de água por segundo do Castanhão, dos quais 6 mil litros por segundo serão destinados à Grande Fortaleza por meio da transferência do Orós. A operação deve começar em 23 de fevereiro, podendo ser adiada caso as precipitações na RMF sejam suficientes para recompor os níveis dos reservatórios metropolitanos.
Caminho da água até Fortaleza
A água seguirá um percurso que parte das reservas do Orós – atualmente com cerca de 70% da capacidade acumulada –, segue pelo Rio Jaguaribe até o Castanhão e, de lá, é transportada através do sistema de canais do Eixão das Águas até o sistema de abastecimento que atende a capital e municípios vizinhos.
A decisão do uso das águas levou em conta balanços técnicos sobre a situação atual dos açudes, projeções climáticas e simulações operacionais. A quadra chuvosa no Ceará, que tradicionalmente ocorre entre fevereiro e maio, tem probabilidades equilibradas de ser dentro, abaixo ou acima da média histórica, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Contexto e próximas etapas
O Castanhão, principal açude do Estado, está com pouco mais de 19% de sua capacidade total, classificado em nível considerado crítico. Enquanto isso, outros reservatórios que compõem o Sistema Integrado Metropolitano – como os açudes Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião – registram volumes combinados que não oferecem garantia suficiente de abastecimento caso as chuvas não se consolidem.
Com isso, o aporte de água a partir de Orós representa uma estratégia de manutenção do fluxo nos sistemas de distribuição, especialmente para evitar que o nível do Pacoti caia a ponto de comprometer sua função central no abastecimento. A operação será reavaliada após a quadra chuvosa, quando uma nova reunião de alocação discutirá a continuidade ou ajustes na liberação de água ao longo de 2026.
Especialistas e gestores ressaltam que a medida não é definitiva, mas sim uma resposta preventiva a um cenário de riscos hídricos, reforçando a importância de ações conjuntas entre poder público, comitês de bacias e sociedade para enfrentar anos com chuvas imprevisíveis.
Fonte: Diário do Nordeste
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