Brasil tem 336 condenados ou suspeitos de feminicídio procurados pela Justiça com mandados de prisão pendentes

 

Um levantamento exclusivo feito a partir de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP) mostra que pelo menos 336 homens estão com mandados de prisão em aberto no Brasil por crimes de feminicídio ou tentativa de feminicídio, apesar de já terem sido identificados como autores ou suspeitos desses crimes, segundo reportagem do g1.



A maioria dos mandados pendentes é de prisão preventiva, que deve ser cumprida durante o andamento do processo. Em 19 casos, os réus já foram condenados em definitivo e não podem mais recorrer, mas ainda não cumpriram a pena.

Distribuição dos mandados pelo país

O levantamento aponta que os estados com maior número de procurados são:

  • São Paulo, com 108 mandados ativos;

  • Bahia, com 32;

  • Maranhão, com 28;

  • Pará, com 27.



Entre os casos listados há acusações por crimes de extrema violência, muitos enquadrados entre os mais procurados do país. Apesar da identificação dos autores, o cumprimento das ordens de prisão ainda enfrenta dificuldades operacionais e estruturais por parte das forças de segurança e judiciais.

Contexto da violência e resposta institucional

Os dados sobre mandados pendentes surgem em um momento em que o Brasil enfrenta níveis historicamente altos de feminicídio. Em 2025 foram registrados 1.530 assassinatos de mulheres por razões de gênero, o maior número já contabilizado no país, o que representa uma média de cerca de quatro vítimas por dia.

Para enfrentar essa situação, representantes dos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — lançaram, na quarta-feira (4), o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa tem como objetivos prevenir a violência letal contra mulheres, ampliar a proteção às vítimas, responsabilizar agressores e garantir ações integradas entre os poderes e instituições públicas, com foco também em transformar práticas culturais e fortalecer medidas protetivas.

O pacto “Todos Juntos por Todas” inclui a criação de um comitê interinstitucional e uma plataforma digital para orientar o público e coordenar equipes de resposta, além de campanhas educativas para toda a sociedade.

Desafios para o cumprimento da lei

Especialistas ouvidos na análise reforçam que, embora a investigação dos casos de feminicídio tenha alta taxa de identificação dos autores, o principal desafio segue sendo o cumprimento efetivo dos mandados de prisão.

O levantamento revela uma lacuna entre a identificação judicial dos responsáveis e sua efetiva detenção, expondo falhas operacionais que podem agravar a sensação de impunidade em crimes que têm efeitos devastadores para famílias e comunidades.

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