![]() |
| Foto: Reprodução |
Normalmente restritivas quanto
à divulgação de informações sobre ataques e danos causados pelo Irã, as
autoridades israelenses têm buscado, nos últimos dias, conscientizar o público
sobre os perigos dessas bombas, que podem permanecer no solo mesmo após civis
deixarem seus abrigos.
Pelo menos três pessoas
morreram, incluindo duas em um canteiro de obras no centro de Israel na
terça-feira (10).
Em junho de 2025, durante a
guerra dos 12 dias entre Israel e Irã, Israel
já havia denunciado o uso desse tipo de munição por Teerã.
Israel, por sua vez, já usou
diversas vezes munições de fragmentação contra o Líbano, em guerras que se
estenderam de 1978 a 2006 — no último confronto contra o grupo extremista
Hezbollah, em 2024, autoridades libanesas também apontaram fortes indícios do
uso desses mísseis pelos israelenses.
Há uma convenção de 2008 que
proíbe o uso desse tipo de munição, mas nem Israel, nem Irã são signatários — e
não se veem obrigados a segui-la.
O que são munições de
fragmentação?
As munições de fragmentação —
também conhecidas como "cluster munition" — são armamentos projetados
para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre um território extenso.
Essas pequenas bombas têm como alvo principal áreas amplas, podendo atingir
simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas.
De acordo com o Comitê
Internacional da Cruz Vermelha, elas foram usadas pela primeira vez durante a
Segunda Guerra Mundial. Há, ainda de acordo com o mesmo comitê, uma grande
proporção de munições de fragmentação estocadas — heranças da Guerra Fria.
O uso em áreas civis é
considerado extremamente perigoso, já que muitas submunições não explodem no
momento do impacto e permanecem ativas no solo — funcionando como minas
terrestres, o que significa que elas podem ferir ou matar civis anos após
o fim dos conflitos.
Por que elas são tão
criticadas?
Devido à ampla dispersão e à
falha de detonação de parte das submunições, as bombas de fragmentação são
consideradas por organizações internacionais como uma das armas mais letais
para civis.
Em 2008, mais de 110 países
assinaram, em Dublin (Irlanda), a Convenção sobre Munições Cluster — um tratado
internacional que proíbe o uso, desenvolvimento, armazenamento e transferência
desse tipo de armamento. O acordo estabelece que os países signatários se
comprometem a nunca:
utilizar munições de
fragmentação;
desenvolver, produzir,
adquirir ou manter esse tipo de arma, de forma direta ou indireta;
colaborar ou incentivar
qualquer ação que contrarie os termos do tratado.
Nem Israel, nem Irã são
signatários do tratado.
Potências militares como
Estados Unidos, Rússia e Ucrânia também não aderiram à convenção e, por isso,
não estão legalmente vinculadas às suas restrições.
O Brasil também está fora da
lista de signatários. Em 2017, um relatório da organização Human Rights Watch
denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação brasileira em ataques a
escolas no Iêmen, realizados dois anos antes por uma coalizão liderada pela
Arábia Saudita.
Na ocasião, Steve Goose,
diretor da divisão de armas da Human Rights Watch e presidente da Coalizão
Contra Munições Cluster, criticou duramente a postura brasileira. “O Brasil
deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas,
enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis”, afirmou. Ele também
apelou para que tanto o Brasil quanto a coalizão saudita se unam ao tratado.
Arsenal de Israel e Irã
Segundo a ONG Landmine and
Cluster Munition Monitor, Israel usou munições de fragmentação pela última vez
em 2006, em combates no sul do Líbano, contra o Hezbollah. O país teria
continuado a produzir esse tipo de armamento até 2018.
Além de vender para outros
países, a ONG acredita que Israel ainda possui grandes estoques desse tipo de
armamento em seu prórprio arsenal. Ela não atesta o uso destes em ataques
contra o território libanês em 2024, como denunciado por Beirute.
A Landmine and Cluster
Munition Monitor diz que também não conseguiu verificar de forma independente o
uso dos mísseis de fragmentação do Irã em 2025, e não faz menção aos ataques
deste mês.
Em junho passado, a Anistia
Internacional criticou o uso desse tipo de munição por Teerã.
Fonte G1

Postar um comentário