Descomissionamento de plataforma no Ceará pode abrir nova cadeia de negócios

Campo de Espada, no litoral de Paracuru, será a primeira plataforma cearense a passar por descomissionamento definitivo


O Campo de Espada, plataforma de petróleo localizada a cerca de 30 quilômetros do litoral de Paracuru, no Norte do Ceará, deve se tornar a primeira unidade offshore do estado a passar por descomissionamento definitivo. A medida ocorre após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) negar, em 2025, pedidos da Petrobras para continuidade da produção no local.


Com isso, começa o planejamento técnico para encerramento das atividades da plataforma, incluindo selamento de poços, retirada de estruturas e destinação dos materiais utilizados na operação. 


O processo também deverá envolver empresas privadas especializadas em serviços offshore.


A expectativa é que o descomissionamento do Campo de Espada seja apenas o início de uma nova etapa no setor marítimo cearense. Após essa estrutura, outras oito plataformas do chamado Polo Ceará, atualmente hibernadas nos campos de Atum, Xaréu e Curimã, também devem passar pelo mesmo processo.


Especialistas apontam que a atividade pode impulsionar uma nova cadeia produtiva no estado, envolvendo engenharia naval, logística marítima, mergulho técnico, operação de embarcações especializadas e gestão de ativos offshore.


Ceará mira oportunidades no petróleo e energia eólica offshore


Além do encerramento das operações petrolíferas atuais, o Ceará também aparece em posição estratégica para novos investimentos ligados à exploração marítima.


O estado está localizado próximo à Margem Equatorial, considerada uma das principais fronteiras de exploração de petróleo offshore do Brasil, com blocos em fase de licenciamento ambiental.


Ao mesmo tempo, o litoral cearense é apontado como uma das regiões mais promissoras do mundo para geração de energia eólica offshore, devido à intensidade e regularidade dos ventos alísios.


Segundo especialistas, tanto o descomissionamento das plataformas quanto futuras operações petrolíferas e projetos de energia eólica no mar exigem praticamente a mesma estrutura técnica e operacional.


A avaliação é que o Ceará vive uma “janela estratégica” para desenvolver capacidade local e evitar que futuras oportunidades econômicas sejam absorvidas por outros estados do Nordeste.


Fortaleza receberá eventos técnicos sobre o tema

Nos dias 2 e 3 de junho, Fortaleza sediará dois eventos técnicos voltados ao setor offshore e ao processo de descomissionamento.


As atividades ocorrerão no auditório do Sebrae Ceará, na Avenida Monsenhor Tabosa, e serão organizadas pelo grupo Descom.Sub, da Coppe/UFRJ, em parceria com a Petrobras.


A programação inclui seminários e workshops voltados ao planejamento técnico e à priorização do descomissionamento do Campo de Espada.


Segundo Rômulo Soares, presidente da Câmara Setorial da Economia Azul, ligada à Adece, os encontros podem abrir oportunidades importantes de investimento para empresários cearenses.


Com informações de: Diário do Nordeste 



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