Especialistas apontam que Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam desafios para conquistar eleitores fora da polarização política
A corrida presidencial de 2026 começa a desenhar um cenário em que o eleitor independente pode ter papel decisivo no resultado das eleições. Analistas políticos avaliam que tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terão dificuldades específicas para ampliar apoio fora de suas bases mais fiéis.
Segundo cientistas políticos ouvidos pelo jornal Estadão, o grupo de eleitores menos ideológicos, formado principalmente por pessoas que alternaram votos entre Lula e Jair Bolsonaro nos últimos anos, será determinante em uma disputa ainda marcada pela polarização nacional.
No caso de Lula, o principal desafio apontado é convencer parte desse eleitorado de que ainda possui capacidade de apresentar propostas novas e oferecer melhora concreta na vida da população após três mandatos presidenciais.
De acordo com Maurício Moura, do instituto Idea, pesquisas qualitativas mostram frustração entre eleitores que deixaram Bolsonaro em 2018 para votar em Lula em 2022, especialmente pela percepção de que a economia ainda não melhorou como esperado.
“Não está claro o que vai pesar mais: a rejeição ao atual governo ou a memória ruim do governo Bolsonaro”, afirmou o pesquisador.
Governo aposta em programas sociais e consumo
Nos bastidores, aliados do Palácio do Planalto acreditam que medidas recentes do governo podem ajudar a recuperar popularidade junto ao eleitorado independente.
Entre os programas lançados nos últimos meses estão iniciativas voltadas ao crédito, renda e consumo, como o Desenrola 2.0, o Luz do Povo e o Gás do Povo.
Para Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, parte desse eleitorado demonstra cansaço da polarização política e busca propostas práticas para o futuro.
“O Lula precisa não só mostrar o que fez, mas principalmente o que tem para os próximos quatro anos”, avaliou.
Flávio Bolsonaro tenta ampliar imagem além do bolsonarismo
Já o senador Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo para conquistar eleitores além do núcleo conservador tradicional.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que tanto Lula quanto Flávio carregam desgaste relacionado à percepção pública sobre corrupção, fator que continua sendo sensível para parte do eleitorado.
Terceira via ainda tenta espaço
Enquanto isso, nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) tentam construir alternativas fora da polarização entre PT e bolsonarismo.
Analistas, no entanto, avaliam que esses candidatos ainda enfrentam dificuldades para ultrapassar seus nichos políticos e alcançar maior competitividade nacional.
Segundo Yuri Sanches, diretor da AtlasIntel, pesquisas qualitativas mostram que parte do eleitorado busca novidade política e discursos mais conectados com problemas cotidianos.
“Falta um elemento de novidade para a eleição do Lula. O PT vai precisar combater a percepção de que se trata de um governo que o eleitor já conhece”, afirmou.
Com a pré-campanha ganhando força nos bastidores, a tendência é que os próximos meses sejam marcados por disputas cada vez mais intensas pela preferência do eleitorado considerado decisivo para 2026.
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