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| Foto: Reprodução |
Prestadores de serviço de
plataformas como Uber, 99 e iFood começam a contar, a partir desta terça-feira
(dia 19), com uma linha de crédito a juros subsidiados para financiamento de
veículos. A medida, anunciada pelo presidente Lula, é voltada para taxistas e
motoristas de aplicativo e está condicionada à realização de ao menos 100
corridas no espaço de um ano.
— O papel do governo é
facilitar a vida de vocês, e não criar caos e confusão. É por isso que nós
estamos fazendo isso. Neste país, ninguém mais será visto como invisível, não
importa a escolaridade, a religião, a idade e a cor. Vocês são brasileiros — afirmou
Lula durante o lançamento, realizado na associação Casa de Portugal, no centro
de São Paulo.
O petista afirmou ainda que as
condições previstas do programa, batizado de “Move Brasil”, devem representar
cerca de metade do custo de aluguel pago atualmente, com a diferença de que o
veículo passa a ser “patrimônio seu, que vai ficar para a sua família e pode
ser vendido quando quiser mudar de profissão”.
Em novos acenos aos
profissionais liberais e autônomos, prometeu exigir pontos de descanso para
motoristas de caminhão em todas as estradas brasileiras, além de propor um
plano de check-ups por meio de especialistas da rede pública de saúde para
“ninguém dirigir doente”.
O ponto de corte, que
representa mais ou menos duas corridas por semana, é uma tentativa do governo
de restringir o programa a pessoas com habitualidade na profissão, mesmo que
não trabalhem todos os dias. Existe a preocupação de se evitar cadastros por parte
de motoristas interessados apenas em crédito mais barato a partir do
lançamento.
A linha de financiamento será
direcionada para compra de veículos de qualquer natureza, com valor máximo de
R$ 150 mil e parcelamento em até seis anos. Nos cálculos do governo, 60% da
oferta do mercado se insere nessas condições, e o limite permite a aquisição de
carros de padrão mais sofisticado, pré-requisito para corridas mais rentáveis,
e modelos elétricos.
Ao todo, R$ 30 bilhões devem
ser liberados por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) nos próximos meses.
Em princípio, a operação não
deve ter restrição de acesso para inadimplentes, mas o risco deve ser assumido
pela rede bancária, quem no fim das contas autoriza o financiamento. O governo
espera atender cerca de 250 mil pessoas com o programa e, de forma indireta,
estimular a indústria automotiva do país.
As taxas de juros praticadas
no mercado costumam ser um ponto de reclamação da indústria e de integrantes do
governo, sob a leitura de que desestimulam o consumo. Em parte do mandato,
figuras proeminentes do PT acusaram o Banco Central de “sabotagem”, em razão
dos patamares mantidos para a Selic — que, por outro lado, foram justificados
pela necessidade de controle da inflação.
A nova medida do governo
também reforça a imagem do governo Lula a cinco meses das eleições
presidenciais, uma vez que profissionais autônomos passaram a representar um
eleitorado significativo nas grandes cidades. O pacote econômico incluiu, há
poucos dias, um programa de renegociação de dívidas a pessoas físicas,
denominado “Desenrola 2.0”, com descontos de até 90%.
O encontro teve discursos
abertamente mirando as eleições por parte de sindicalistas, para uma plateia
que reagia com entusiasmo ao presidente e sua comitiva de ministros.

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