O deputado estadual e líder religioso Apóstolo Luiz Henrique (MDB) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), nesta terça-feira (2), para criticar o uso de espaços religiosos para manifestações políticas. Durante o pronunciamento, ele afirmou que se arrepende de ter concedido espaço para falas de políticos em eventos da Igreja do Senhor Jesus, da qual é fundador e líder.
Segundo o parlamentar, a decisão foi motivada pela necessidade de preservar o ambiente religioso de disputas partidárias e evitar interpretações que possam gerar divisão entre os fiéis.
“Tudo que pode chegar a escandalizar a igreja ou alguém pegar aquilo que está acontecendo e desvirtuar, como fizeram na época, não é bom. Eu me arrependo, não vou mais colocar”, declarou.
Ao comentar episódios recentes, Luiz Henrique citou a tradicional Festa de Santo Antônio de Barbalha, realizada no último domingo (31), que reuniu diversas lideranças políticas, entre elas o governador Elmano de Freitas (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), o ministro Camilo Santana (PT), o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil), além de outras autoridades.
Durante a celebração religiosa, apoiadores entoaram gritos em apoio a pré-candidatos ao Governo do Ceará, o que levou um diácono a interromper as manifestações com o alerta de que “igreja não é lugar para politicagem”.
O deputado afirmou que políticos são bem-vindos para participar de celebrações religiosas, mas sem utilizar o espaço para discursos políticos.
“Lá no Pau da Bandeira estava o Camilo assistindo à missa, o Ciro assistindo à missa, o Elmano assistindo à missa, o pastor Alcides estava lá, o Carmelo estava lá. Então vai para assistir à missa. Parabéns. Só sei que lá na Igreja do Senhor Jesus agora não vão mais pegar no microfone”, afirmou.
Durante entrevista após o pronunciamento, Luiz Henrique também comentou a participação de Ciro Gomes em um evento da Convenção das Assembleias de Deus do Estado do Ceará (Conadec). O parlamentar lembrou críticas que recebeu em 2022 após aparecer ao lado de Ciro em uma visita à sua igreja.
“Pastores pegaram minha foto com o Ciro e disseram que eu tinha feito aliança com o diabo. Os mesmos que criticaram hoje colocam o Ciro dentro da igreja e dão o microfone para ele”, afirmou.
O deputado federal Dr. Jaziel (PL), um dos organizadores do encontro da Conadec, defendeu a presença de Ciro Gomes no evento. Segundo ele, o ex-ministro participou para pedir desculpas por declarações feitas durante a pandemia da Covid-19 sobre líderes religiosos que descumprissem medidas sanitárias.
“A igreja é lugar de misericórdia. Então, como é que o Ciro ia chegar lá e pedir perdão e não seria perdoado?”, disse Jaziel.
Outro nome que se manifestou sobre o episódio em Barbalha foi o senador Eduardo Girão (Novo), que criticou o que classificou como uso político da religião. Já o governador Elmano de Freitas afirmou que igrejas devem ser espaços de união e fé, sem vinculação com disputas eleitorais.
Por sua vez, Ciro Gomes avaliou que as manifestações ocorreram de forma espontânea por parte dos apoiadores e afirmou ter concordado com a intervenção do religioso para encerrar os gritos dentro da igreja.
“A igreja é lugar de fé. Eu mesmo fiz sinais para que parassem e acho que conseguimos algum êxito”, declarou.
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