Uma fiscalização realizada pelo deputado estadual Carmelo Neto (PL) no Centro de Artes da Universidade Regional do Cariri (Urca), em Juazeiro do Norte, provocou forte reação de professores e estudantes da instituição. O caso ocorreu na última sexta-feira (29) e resultou em uma nota de repúdio divulgada pelo Sindicato dos Docentes da Universidade Regional do Cariri (Sindurca).
Durante assembleia realizada nesta terça-feira (2), representantes do sindicato e do movimento estudantil criticaram a atuação do parlamentar e anunciaram que estudam medidas contra Carmelo Neto e o vereador de Juazeiro do Norte, Boaz do Bolsonaro (PL), que acompanhou a visita.
Segundo o presidente do Sindurca, Ivan Jardim, a ação teria sido marcada por constrangimentos a professores, servidores e estudantes.
“Eles vêm nesse período eleitoral simplesmente para se fazer de defesa da universidade, quando a gente sabe que eles vêm para nos atacar e foram truculentos e violentos com os nossos funcionários, estudantes e professores”, declarou.
Durante a fiscalização, Carmelo Neto percorreu diversos espaços do Centro de Artes e apontou problemas estruturais na unidade. Entre as situações mostradas pelo deputado estavam cadeiras danificadas, infiltrações, mofo, janelas quebradas e uma piscina com água acumulada e sem manutenção.
Vídeos divulgados nas redes sociais registraram momentos de discussão entre o deputado, o vereador e professores da universidade. Em uma das gravações, uma docente questiona a presença da equipe e afirma que não havia autorização para filmagens dentro da instituição. Outra professora acusa o parlamentar de agir de forma machista durante o debate.
“Muita falta de educação. Muito machista comigo”, afirmou a docente.
Carmelo Neto rebateu as críticas e defendeu a fiscalização, argumentando que o foco da visita era denunciar as condições estruturais enfrentadas pela comunidade acadêmica.
“Eu acho extremamente humilhante que vocês professores estejam sujeitos a uma estrutura dessa para ter que dar aula. Vê como tá isso aqui. É sério que o problema sou eu?”, respondeu o deputado.
O episódio ampliou o debate sobre a situação da infraestrutura da Urca e também sobre os limites da atuação parlamentar em fiscalizações realizadas dentro de instituições públicas de ensino.
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