Os chamados Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte estão em processo de inscrição no Livro de Registro dos Lugares, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Caso a proposta seja aprovada, o conjunto passará a ser reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural do Brasil.
A iniciativa busca valorizar e proteger espaços marcados pela fé popular, pela trajetória do Padre Cícero Romão Batista e pelas romarias que transformaram Juazeiro do Norte em um dos principais destinos de turismo religioso do país.
Consulta pública está aberta
Moradores, romeiros, pesquisadores e demais interessados podem contribuir com opiniões, sugestões e informações para auxiliar na análise do processo pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
As manifestações podem ser encaminhadas para o e-mail conselho.consultivo@iphan.gov.br ou por correspondência ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
A análise dos subsídios está prevista para ocorrer no próximo dia 10 de junho.
Quais locais fazem parte da proposta
A candidatura reúne espaços que compõem a experiência religiosa dos romeiros e a chamada geografia sagrada de Juazeiro do Norte:
- Santuário Basílica de Nossa Senhora das Dores;
- Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro;
- Fundação Memorial Padre Cícero;
- Santuário de São Francisco das Chagas;
- Igreja Matriz de São João Bosco;
- Geossítio Colina do Horto;
- Santo Sepulcro e trilhas religiosas da Colina do Horto.
Locais ligados à história de Padre Cícero
Segundo a presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, Teresa Maria, os espaços selecionados mantêm relação direta com a vida e a missão do sacerdote.
“São lugares por onde o Padre Cícero passou, onde ergueu monumentos e deixou marcas que permanecem vivas na memória dos romeiros”, destacou.
Ela lembra que a Igreja do Socorro abriga os restos mortais do religioso, enquanto o Memorial preserva documentos, objetos pessoais, vestimentas e relíquias que atraem milhares de visitantes todos os anos.
Pesquisa começou há mais de 20 anos
De acordo com o técnico do Iphan Ceará, Igor de Menezes, o processo é resultado de estudos iniciados no começo dos anos 2000 por meio do Projeto Cariri.
A iniciativa identificou diversos bens culturais de relevância nacional, entre eles os Lugares Sagrados de Juazeiro, a Festa do Pau da Bandeira, as Bandas Cabaçais, a obra de Patativa do Assaré e o legado do escultor Manuel Graciano.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com a Universidade Regional do Cariri (Urca), envolvendo pesquisas, inventários e entrevistas que serviram de base para a elaboração do dossiê atualmente analisado pelo Iphan.
Reconhecimento fortalece preservação
Para a professora da Urca, Renata Marinho Paz, os Lugares Sagrados vão além dos monumentos e edificações, sendo construídos pela própria devoção dos romeiros.
Ela destaca que o reconhecimento cria mecanismos de acompanhamento e proteção dos espaços diante das transformações provocadas pelo crescimento do turismo religioso.
“Esses lugares vêm passando por mudanças muito rápidas. O registro implica um acompanhamento permanente do que acontece com eles e mobiliza tanto o Iphan quanto a sociedade para garantir que continuem sendo importantes para as futuras gerações”, afirmou.
O que muda se a proposta for aprovada
Caso o registro seja confirmado, será elaborado um Plano de Salvaguarda, construído de forma participativa com a comunidade, definindo ações de curto, médio e longo prazo para preservar os espaços e fortalecer as manifestações religiosas ligadas às romarias.
A medida representará mais um avanço no reconhecimento da importância histórica, cultural e religiosa de Juazeiro do Norte, que já teve o Ciclo de Romarias e a Estátua de Padre Cícero reconhecidos como patrimônios culturais do município.
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