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Sangramento, sensação de
dentes ásperos e formação de tártaro podem indicar que a higiene bucal precisa
de atenção; veja quais sinais merecem avaliação
Escovar os dentes todos os
dias não significa, necessariamente, que a limpeza está sendo feita da forma
adequada. Mesmo com escovação diária, algumas regiões da boca podem acumular
placa bacteriana, uma camada de bactérias que gruda nos dentes, favorecer o
aparecimento de tártaro e provocar sinais como sangramento na gengiva.
Segundo a Dra. Cristina Miura
(@dentistasquesalvamdentes no Instagram), periodontista especializada em
doenças da gengiva e ao redor dos implantes, um dos primeiros sinais de alerta
é a sensação de dentes ásperos. Ao passar a língua, os dentes devem estar
lisos. Quando parecem rugosos, pode haver acúmulo de placa, que nem sempre sai
bem durante a escovação.
Teste simples pode ajudar a
enxergar a placa
Para quem quer observar melhor
a própria escovação, a dentista sugere um teste simples, feito com corante
alimentício de cor contrastante, como azul ou verde. A ideia é aplicar uma
pequena quantidade do corante nos dentes, com cotonete ou na escova, para
evidenciar regiões onde ainda há placa bacteriana.
Esse tipo de observação pode
revelar falhas na escovação e ajudar a identificar quais regiões da boca
precisam de mais atenção. “Esse corante alimentício vai pintar sua placa
bacteriana. Faça disso o dia da faxina para você e toda a família”, afirma.
A orientação, porém, não
substitui consulta odontológica. O teste pode ajudar a visualizar falhas na
escovação, mas não serve para diagnosticar doenças, remover tártaro ou tratar
inflamações.
Dente áspero pode ser sinal de
acúmulo
A placa bacteriana é descrita
pela dentista como uma “massinha” que se forma ao redor dos dentes. Quando não
é removida, essa camada pode endurecer e virar tártaro. Essas áreas endurecidas
funcionam como esconderijos para bactérias e dificultam a limpeza diária.
Dra. Cristina explica que a
saliva tem cálcio, algo importante para os dentes. Mas, quando a placa fica
acumulada, esse mesmo cálcio pode ajudar a endurecer a sujeira presa ao dente.
É assim que se formam áreas ásperas que a escova já não consegue remover
sozinha.
Com o tempo, essas áreas
endurecidas funcionam como esconderijos para bactérias e dificultam ainda mais
a limpeza diária. Por isso, a sensação de dente áspero deve ser observada.
Gengiva sangrando não é normal
Outro sinal importante é o
sangramento durante a escovação. Segundo a periodontista, muita gente tenta
disfarçar o problema com bochechos, produtos naturais ou soluções pontuais, mas
o sangue na gengiva costuma indicar que há uma doença ou desequilíbrio na boca.
“Sangramento na gengiva
durante a escovação não é normal. É a gengiva gritando que existe alguma coisa
ruim acontecendo ali”, afirma.
De acordo com a dentista, o
sangramento pode estar associado à gengivite e, quando há agravamento do
quadro, a problemas como periodontite e doenças ao redor dos implantes.
Mais força na escova não
resolve
Um erro comum é associar o
sangramento apenas à força usada na escovação. Para a Dra. Cristina, quando a
gengiva sangra, o sinal principal é de que pode haver uma doença ou
desequilíbrio na boca, e não apenas um problema de intensidade na escova.
Por isso, a orientação
correta, feita por um dentista, ajuda o paciente a entender se a higiene está
sendo suficiente e quais regiões precisam de mais atenção.
“Não é necessariamente a força
na escovação que causa o sangramento. Esse sinal indica que pode haver alguma
doença na boca”, diz.
A dentista compara a boca a um
jardim. Em equilíbrio, há bactérias boas e algumas bactérias nocivas em menor
quantidade. Quando a higiene falha, as visitas ao dentista são adiadas e o
tártaro se acumula, as bactérias causadoras de doença ganham espaço.
Quando esse equilíbrio se
perde, as bactérias que causam doenças ganham espaço. Esse desequilíbrio é
chamado de disbiose bucal e pode favorecer cárie, gengivite, periodontite e
problemas ao redor dos implantes.
Quando procurar um dentista
A orientação é procurar
avaliação quando houver sangramento persistente, dentes ásperos, acúmulo
visível de tártaro ou dificuldade para manter a higiene bucal adequada mesmo
com escovação diária.
Segundo a especialista, esses
sinais não devem ser ignorados. O ideal é criar uma cultura de prevenção, com
consultas regulares e orientação individualizada.
“Ir ao dentista somente quando
existe um problema pode ser tarde demais. É importante ir ao dentista para não
ter problema”, alerta.
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Quem é Dra. Cristina
Miura?
Dra. Cristina Miura é
cirurgiã-dentista (CRO-PR 11500), periodontista e implantodontista, com
mestrado em Microbiologia. Professora universitária, também se dedica à
formação de dentistas. É criadora do Método dos Dentistas que Salvam Dentes,
que foca na preservação de dentes naturais.
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