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No
final da Audiência Geral, o Papa anunciou que em setembro próximo publicará um
texto magisterial sobre “esse culto carregado de beleza espiritual”, para que
ilumine o caminho de renovação da Igreja e da humanidade.
Alessandro
Di Bussolo – Vatican News
Um
novo documento sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus, para meditar sobre os
aspectos “do amor do Senhor que podem iluminar o caminho da renovação eclesial;
mas também dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido o
coração”.
Foi
o que o Papa Francisco anunciou no final da Audiência Geral, desta quarta-feira
(05/06), em suas saudações aos fiéis italianos, e manifestou sua intenção de
torná-lo público em setembro, enquanto estão em andamento as celebrações para o
350º aniversário da primeira manifestação do Sagrado Coração de Jesus a Santa
Margarida Maria Alacoque, em 1673. As celebrações foram abertas em 27 de
dezembro de 2023 e serão encerradas em 27 de junho de 2025.
Estou feliz por preparar um
documento que reúne as preciosas reflexões de textos magisteriais anteriores e
uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para propor novamente
hoje, a toda a Igreja, este culto carregado de beleza espiritual.
Saudações em árabe e alemão
Dirigindo-se aos fiéis de
língua árabe, o Pontífice saudou as pessoas que vieram do Iraque da Catedral
Caldeia de São José, em Ankawa, e recordou que “assim como o vento move as
folhas, também o Espírito Santo move as nossas almas, guiando-nos em direção à
luz". Saudando os fiéis de língua alemã, o Pontífice recordou que hoje a
Igreja celebra a festa de São Bonifácio, apóstolo da Alemanha. “Gratos pela
longa e fecunda história de fé em suas terras – é a sua oração – invocamos o
Espírito Santo para que mantenha sempre viva em vocês a fé, a esperança e a
caridade”.
As origens da devoção ao
Sagrado Coração de Jesus
A iconografia retrata o
Sagrado Coração de Jesus com Cristo coroado de espinhos, na cruz e ferido pela
lança, como uma eterna lembrança do maior gesto que Ele fez por nós: sacrificar
sua própria vida pela salvação da humanidade. Por fim, cercado por chamas que
simbolizam o ardor misericordioso que Cristo sente pelos pecadores. Os
primeiros vestígios de devoção ao Sagrado Coração de Jesus podem ser
encontrados já na Idade Média, no pensamento de místicos alemães como Matilde
de Magdeburg, Matilde de Hackeborn e Gertrude de Helfta e o beato dominicano
Henrique Suso. Entretanto, esse culto só alcançou grande florescimento no
século XV por meio do trabalho de Santa Margarida Alacoque e São João Eudes, o
primeiro a quem o bispo de Rennes concedeu permissão para celebrar uma festa em
honra ao Coração de Jesus em sua comunidade em 1672. Em 1765, Clemente XIII
concedeu à Polônia e à Arquiconfraria Romana do Sagrado Coração a possibilidade
de celebrar a festa do Sagrado Coração de Jesus e foi nesse século que se desenvolveu
um debate acalorado. A Congregação dos Ritos, de fato, afirma que o objeto
desse culto é o coração de carne de Jesus, símbolo de seu amor, mas os
jansenistas interpretam isso como um ato de idolatria. Foi somente em 1856, com
Pio IX, que a solenidade foi estendida à Igreja universal e incluída no
calendário litúrgico.
Santa Margarida Alacoque:
mensageira do Coração de Jesus
Margarida Alacoque é uma
religiosa da Ordem da Visitação de Santa Maria que viveu no convento francês de
Paray-le-Monial, no Loire, desde 1671. Ela já tinha fama de ser uma grande
mística quando, em 27 de dezembro de 1673, recebeu a primeira visita de Jesus,
que a convidou para ocupar o lugar de João, o apóstolo que fisicamente
descansou a cabeça no peito de Jesus, na Última Ceia. “O meu coração divino
está tão apaixonado pelo amor à humanidade que, como não pode mais conter
dentro de si as chamas de sua ardente caridade, precisa espalhá-las. Eu a
escolhi para esse grande plano", diz ele a ela. No ano seguinte, Margarida
tem mais duas visões: na primeira, há o coração de Jesus em um trono de chamas,
mais brilhante do que o sol e mais transparente do que o cristal, cercado por
uma coroa de espinhos; na outra, ela vê Cristo resplandecente de glória, com o
peito de onde saem chamas por todos os lados, de tal forma que parece uma
fornalha. Nesse momento, Jesus pede que ela comungue toda primeira sexta-feira
por nove meses consecutivos e que se prostre no chão por uma hora na noite
entre quinta e sexta-feira. Assim nasceram as práticas das nove sextas-feiras e
a Hora Santa de Adoração. Depois, em uma quarta visão, Cristo pede a
instituição de uma festa para honrar o seu Coração e reparar, por meio da
oração, as ofensas que recebeu.
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