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O Dia do Folclore, celebrado
em 22 de agosto, vai muito além de uma data no calendário: é um momento de
refletir e preservar a cultura nacional. Conforme explica a psicopedagoga e
escritora infantil Paula Furtado, “o folclore brasileiro carrega nossas raízes,
medos, esperanças e os ensinamentos passados de geração em geração. Ao
valorizar as lendas, brincadeiras, cantigas e costumes, mantemos viva a alma do
nosso povo e oferecemos às crianças um sentimento de pertencimento e
identidade”.
O folclore excede um simples
conjunto de lendas; é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil
onde a imaginação ganha asas. “Ao mergulhar nesse universo encantado, os
pequenos aprendem, por exemplo, que o medo pode se transformar em coragem, e
que o diferente se torna uma oportunidade de aprendizado”, enfatiza a
profissional.
Personagens marcantes ensinam
as crianças valores como respeito à natureza, amizade, sabedoria popular e
justiça. Como o Curupira, que protege as matas e ensina sobre o respeito à
natureza; o Negrinho do Pastoreio, que inspira fé e resiliência, podendo abrir
reflexões atuais sobre o racismo; trabalhar a lenda da Iara cria oportunidade
para falar de temas atuais como o papel da mulher na cultura; o Saci-pererê tem
deficiência física e, mesmo assim, corre, voa, transforma, é independente,
traquina e transgressor — símbolo da resistência da cultura africana no Brasil.
Tradição e modernidade
Para Paula, que também é
contadora de histórias, tanto os pais quanto os professores podem cativar o
público infantil adaptando atividades folclóricas com criatividade, adequando
as lendas da região aos contextos locais e às vivências das crianças. “Para os
pequenos, a experiência pode ser enriquecida com o uso de fantoches, desenhos e
cantigas. Já para os maiores, rodas de conversa, teatro, contação de histórias,
pesquisas e até criação de podcasts folclóricos ajudam no entendimento e
interesse”, sugere.
Se usadas com
intencionalidade, as mídias digitais e redes sociais também podem ser grandes
aliadas para conquistar novas gerações na divulgação do folclore. Por exemplo:
um vídeo bem-feito pode apresentar o Saci-pererê a uma criança que nunca ouviu
falar sobre ele, e um jogo educativo pode transformar o Curupira em herói da
floresta.
Mas Paula enfatiza que é
preciso ter cuidado com a superficialidade e distorções para que o conteúdo
seja respeitoso, criativo e fiel à essência desta sabedoria ancestral. “Antes
de apresentar um personagem como apenas engraçado ou assustador, é importante
explicar o que ele representa, sua origem e o contexto da história”, pontua.
Há muitas formas de envolver o
público infantil no folclore brasileiro de forma lúdica. E esse é o caminho
mais bonito para formar crianças curiosas, conscientes e conectadas com suas
raízes. “Agosto é o mês do Folclore, mas a cultura popular deve estar presente
o ano todo. E que a escola e a nossa casa sejam sempre espaços de encantamento
cultural”, finaliza Paula.
Sobre Paula Furtado
Paula é pedagoga, formada pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em
Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de
Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e
Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica
em escolas públicas e particulares.
Paula Furtado atende crianças
e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos
envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da
educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições
de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a
importância de contar histórias.
Autora de mais de 100 livros
infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve
para revistas especializadas em educação e infância.
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