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| Foto Reprodução |
Perguntei se o Vitória havia
jogado sem goleiro. Não é normal uma goleada de 8 a 0 na principal divisão do
futebol brasileiro. Mas acontece. O Flamengo deitou e rolou. Fez o que bem
quis. E poderia ter feito mais ainda. Há dias em que tudo dá certo para um
lado só.
Não gosto, quando vejo uma
goleada assim. Logo me vem à lembrança a maior humilhação já sofrida pela
Seleção Brasileira. Alemanha 7 x 1 Brasil. E só não houve
uma goleada maior porque os alemães e seus canhões, como diria Chico Buarque de
Holanda, puxaram o freio de mão.
No recente Mundial
de Clubes, o Bayern de Munique goleou o Auckland City (10 a
0). A goleada, quando tem de acontecer, não escolhe estádio,
país, categoria. Acontece. O placar de 10 a 0 está mais para um racha na
Pracinha da Gentilândia do que para um TQL Stadium,
em Cincinnati. Foi lá o massacre.
É estranho
o placar de 8 a 0 no futebol. À FIFA, que cria tanta
besteira, eu sugiro mais uma: encerrar o jogo quando um
time colocar seis gols de diferença. Seria uma forma de parar os
alemães e seus canhões.
Goleiro
Coitado do goleiro em goleadas
assim. Cansa de buscar a bola no fundo da rede. É humilhante. Agora lembrei de
uma brincadeira do saudoso apresentador Sebastião Belmino. Ele dizia
que o goleiro devia jogar de batina, pois só assim não sofreria frango, com
a bola passando entre as pernas.
Acaso
Nem sempre uma goleada traduz
o acerto definitivo de uma equipe. Pode ser um placar de ocasião.
Exemplo recente foi do Vasco. Humilhou o Santos na Vila
Belmiro (0 x 6). Uma goleada histórica. E enganosa. Todos pensavam que o Vasco
se acertara. Na sequência perdeu para o Juventude (2 x 0) e
para o Corinthians (2 x 3).
Humilhações
O
Fortaleza também teve seus dias de infortúnio na atual Série A
nacional. Na 11ª rodada, no Maracanã, o Flamengo goleou o Fortaleza (5 x
0). Na 19ª rodada, no Castelão, o Fortaleza foi goleado pelo Botafogo (0 x
5). Mas o Leão também goleou. Na 8ª rodada, no PV, o
Fortaleza aplicou 5 a 0 no Juventude. Coisas do futebol.
Regularidade
Eu prefiro uma sequência de
vitórias simples, bem aplicadas, do que as goleadas. Estas ficam no rol das
exceções. As vitórias comuns traduzem melhor a realidade da produção. Não
raro, revelam mais a fragilidade do adversário do que os méritos de quem
goleou.
Ilusão
Na Copa do Mundo de 1950, o
Brasil goleou o México (4 x 0), goleou a Suécia (7 x 1) e goleou a Espanha (6 x
1). Gerou o “já ganhou”. Mas, quando na final encarou o
Uruguai, adversário duro, difícil, cheio de catimba, caiu no laço e
perdeu a Copa. As goleadas anteriores prejudicaram porque criaram
a ilusão de uma conquista antecipada.

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