Nova edição da Série Especial
de Economia - Investimentos em Transporte mensura como investimentos públicos e
privados em rodovias contribuíram para o desempenho do setor transportador nas
duas últimas décadas
Nos últimos 24 anos, os
investimentos privados em rodovias geraram impacto mais rápido e de maior
intensidade no PIB (Produto Interno Bruto) do transporte do que os
investimentos públicos realizados pela União. Ainda assim, ambos se mostram
essenciais e complementares, contribuindo para o desenvolvimento da atividade
transportadora. É o que revela uma análise inédita da CNT (Confederação
Nacional do Transporte) sobre os efeitos dos investimentos em infraestrutura
rodoviária no desempenho do setor.
Segundo a nova edição da Série
Especial de Economia – Investimentos em Transporte, um aumento de 1% nos
investimentos privados resulta em crescimento imediato de 0,09% no PIB do
setor, chegando ao pico de 0,17% em apenas nove meses. Já os investimentos
públicos, no mesmo patamar, geram a expansão inicial de 0,02%, alcançando o
pico de 0,15% somente após um ano e meio.
Nos últimos cinco anos, a
média do PIB do setor de transporte, armazenagem e correio foi de R$ 312,02
bilhões. A média anual dos investimentos públicos federais em infraestrutura
rodoviária foi de R$ 10,16 bilhões. Na prática, um aumento de 1% nesses aportes
(R$ 101,60 milhões) teria impacto gradual: R$ 62,42 milhões no curto prazo e R$
471,56 milhões após um ano e meio.
Já a média dos investimentos
privados em rodovias, entre 2020 e 2024, foi de R$ 11,45 bilhões. Um acréscimo
de 1% nesse volume (R$ 114,49 milhões) produziria efeito mais imediato: R$
295,64 milhões de impacto contemporâneo, chegando a R$ 545,60 milhões em apenas
nove meses.
É importante destacar que os
efeitos imediatos e os de longo prazo dos investimentos no PIB não se anulam,
mas se acumulam ao longo do tempo. A cada trimestre, após a conclusão de uma
obra rodoviária – seja pública ou privada –, esses recursos retornam à
sociedade em forma de ganhos econômicos, que se estendem por grande parte da
vida útil da infraestrutura.
Complementaridade entre os
modelos
Apesar do desempenho distinto,
a análise destaca que os dois tipos de investimento são imprescindíveis e
complementares. O privado mostra maior velocidade de retorno, enquanto o
público é fundamental em regiões com menor atratividade econômica para as
concessões.
“Enquanto o setor público
desempenha papel essencial na promoção de investimentos estruturantes,
especialmente em áreas menos atrativas economicamente, o setor privado
contribui com eficiência operacional, capacidade de execução e foco em metas de
desempenho, como se observa nas rodovias concedidas. A articulação entre esses
dois tipos de investimento permite alavancar recursos, otimizar resultados e
ampliar os benefícios para a infraestrutura de transporte rodoviário”, afirma
Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.
Setor estratégico para a
economia
Em 2024, o transporte gerou R$
366,26 bilhões em riqueza – o equivalente a 3,1% do PIB nacional e 5,3% do PIB
de serviços – e empregou 2,88 milhões de trabalhadores, representando 6% dos
empregos formais no país.
O segmento rodoviário
concentra o maior peso. Ele responde por 65% do volume de mercadorias
movimentadas e pela mobilidade de mais de 90% das pessoas.
Mesmo com esse peso econômico,
as rodovias brasileiras apresentam graves deficiências. Apenas 12,4% da malha
nacional é pavimentada, com densidade de 25,1 quilômetros para cada mil
quilômetros quadrados de área. Além disso, 67% da extensão avaliada pela CNT
está em estado regular, ruim ou péssimo, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias
2024.
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