Consulta Pública sobre a técnica IMRT para tumores de reto está aberta até 1º de setembro e permite contribuições para ampliar acesso a tratamento
São Paulo, Agosto de 2025 – A
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu uma Consulta Pública para
avaliar a incorporação da técnica de Radioterapia de Intensidade Modulada
(IMRT) no rol de procedimentos obrigatórios dos planos de saúde para o tratamento
do câncer de reto. Se aprovada, a medida representará um avanço decisivo para
ampliar o acesso dos pacientes brasileiros a um tratamento mais seguro e com
menos efeitos colaterais em comparação à radioterapia convencional e
conformada, técnicas essas, antigas e que espalham mais dose de radiação onde
não precisa.
O câncer de reto é uma das
manifestações do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso,
especificamente a porção final antes do ânus. De acordo com estimativas do
Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente no triênio 2023–2025 devem ocorrer
cerca de 45,6 mil novos casos de câncer de cólon e reto a cada ano no Brasil,
sendo 21,9 mil em homens e 23,6 mil em mulheres.
Esse tipo de tumor ocupa hoje
a terceira posição entre os mais incidentes no país, sem considerar os casos de
pele não melanoma¹, e a tendência é de crescimento: até 2040, a projeção é de
aumento de 21% no número de novos casos anuais, passando de aproximadamente
58,8 mil para 71 mil diagnósticos.² O cenário reforça a necessidade de
prevenção, diagnóstico precoce e acesso a terapias cada vez mais modernas.
A radioterapia de intensidade
modulada (IMRT) já é consolidada internacionalmente e considerada um avanço
importante em relação as técnicas convencional e conformada. O método permite
moldar os feixes de radiação conforme o formato e o tamanho do tumor, administrando
doses mais altas de forma precisa na região comprometida e reduzindo a
exposição de órgãos e tecidos saudáveis ao redor, como bexiga e intestino
delgado. Essa precisão diminui significativamente os efeitos colaterais agudos,
com menos impacto nas atividades diárias do paciente, sem comprometer a
eficácia terapêutica.³
Segundo o Dr. Robson Ferrigno,
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a incorporação da
técnica pode representar um marco no cuidado oncológico dos pacientes com
câncer no reto. “A radioterapia de intensidade modulada já é uma realidade em
diversos países e traz benefícios claros no tratamento de tumores, como o
câncer de reto. Ao reduzir efeitos colaterais e preservar funções importantes,
a IMRT melhora a qualidade de vida dos pacientes e contribui para melhores
desfechos clínicos. A aprovação da cobertura pelos planos de saúde será
fundamental para garantir equidade no acesso à oncologia de precisão no
Brasil”, afirma.
A Consulta Pública nº 160 está
disponível no site da ANS até o dia 1 de setembro e representa um marco na
discussão de ampliação do acesso a tratamentos avançados para o câncer.
Para contribuir é preciso
seguir o passo a passo abaixo:
Acesse o site da Agência
Nacional de Saúde Suplementar: Visite ANS - Consulta Publica Gov Tela Inicial,
role a tela até encontrar o link de acesso à consulta pública n° 160.
Leia o relatório técnico:
entenda os critérios e evidências científicas da IMRT avaliadas.
Envie sua opinião: Preencha o
formulário de consulta pública compartilhando suas considerações e apoio à
incorporação do tratamento.
A participação na consulta
pública nº 160 é uma forma de exercer o direito como cidadão e contribuir
diretamente com as políticas públicas de saúde. As contribuições enviadas serão
avaliadas pelo comitê da ANS, que analisará o relatório gerado e tomará a
decisão final sobre a incorporação do tratamento para a nova indicação.
1 INCA, Instituto Nacional de
Câncer. Câncer de Colón e Reto. Disponível em: Link. Acesso em: 20 de agosto de
2025.
2 Fundação do Câncer. Câncer
colorretal no Brasil: Projeção de casos novos. Disponível em: Link Acesso em 20
de agosto de 2025.
3 Sociedade Brasileira de
Radioterapia. Radioterapia com Intensidade Modulada. Disponível em: Link.
Acesso em: 21 de agosto de 2025.
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