Por
Luis Cuevas
Operadores
de data centers estão investindo em infraestrutura de ponta para acompanhar a
crescente demanda de inteligência artificial (IA). No entanto, muitos ainda
dependem de processos de manutenção ultrapassados para gerenciar equipamentos
críticos, de servidores a sistemas de refrigeração e unidades de energia. Esse
descompasso se torna cada vez mais arriscado diante do aumento do consumo
energético, da escassez de profissionais capacitados, de regulações ambientais
mais rígidas e do risco elevado de custos e paralisações inesperadas.
É
nesse contexto que a Manutenção Baseada em Condição (CBM) deixou de ser
opcional e passou a ser indispensável para qualquer data center que deseja se
manter competitivo, resiliente e sustentável. Modelos tradicionais de suporte,
baseados em tempo ou em respostas a falhas, já não acompanham a velocidade da
transformação tecnológica. Eles geram paradas desnecessárias, uso ineficiente
de recursos, gastos mais altos e até penalidades de conformidade. Mais grave do
que isso: deixam os data centers vulneráveis e a ponto de perderem sua vantagem
competitiva em um mercado que avança rapidamente rumo a soluções preparadas
para IA.
À
medida que crescem em tamanho físico, adotam novas tecnologias e se expandem
globalmente, os centros de dados formam ecossistemas complexos de ativos que
exigem monitoramento sofisticado. O uso intensivo de aplicações de IA amplia
ainda mais a pressão sobre a gestão de cargas e a confiabilidade dos
componentes. Em setores críticos como finanças, saúde e comércio eletrônico,
uma simples falha pode gerar prejuízos financeiros e danos reputacionais
irreversíveis.
De
acordo com o Uptime Institute, o custo médio do tempo de inatividade em TI
varia de US$ 5.600 a US$ 9.000 por minuto, podendo ultrapassar US$ 1 milhão em
alguns casos. Somado a isso, a falta de mão de obra qualificada é um problema
persistente: em 2024, 51% dos operadores relataram dificuldade para preencher
vagas, pelo terceiro ano consecutivo. O mesmo instituto aponta que erros
humanos estão presentes em mais de 66% dos erros de data centers.
Logo,
a saída é clara: implementar um modelo sistêmico de CBM apoiado por IA. Esse
sistema oferece uma visão holística de gestão técnica que cobre todo o ciclo de
vida dos ativos, desde consultoria e design, passando pela digitalização e
análise orientada por dados, até a execução de modernizações. Mais do que
substituir o calendário por sensores, trata-se de uma transição de modelo: da
operação reativa para uma estratégia inteligente, guiada pela condição real das
máquinas.
Na
prática, tudo se resume a dados. Sensores coletam informações em tempo real
sobre temperatura, vibração, pressão e desgaste, enquanto algoritmos de análise
preditiva - muitas vezes suportados por IA e machine learning - antecipam
anomalias para evitar interrupções graves. Isso permite programar manutenções
somente quando necessário, bem como prolongar a vida útil dos ativos e diminuir
o risco de incidentes inesperados.
O
impacto da CBM apoiada por IA já é mensurável. Segundo a Agência Internacional
de Energia (IEA), a manutenção orientada por IA pode reduzir em 20% o
investimento e o tempo de inatividade. Esse potencial começa a se confirmar em
estudos recentes da Schneider Electric, que indicam até 40% menos intervenções
presenciais, 20% de queda nos encargos operacionais e diminuição de até 75% no
risco de paralisações não planejadas. Os resultados obtidos são amplificados
por soluções como o EcoStruxure™ Asset Advisor, que une monitoramento remoto e
IA para embasar decisões de manutenção mais rápidas, precisas e alinhadas às
metas de eficiência e sustentabilidade.
Um
fator crucial a ser considerado é que a CBM possibilita intervenções mais
precisas, minimizando o risco de erro humano. Com o tempo, as operações não
apenas funcionam melhor, mas também aprendem continuamente, refinando seu
desempenho a cada novo dado coletado. Ainda assim, nem mesmo a tecnologia mais
avançada substitui a intuição e a criatividade humanas: a IA faz o trabalho
pesado, porém o feedback humano continua essencial para interpretar eventos e
resolver questões complexas.
A
mensagem para os líderes de data centers é de que o futuro exige a CBM. Sem
essa abordagem, os riscos se multiplicam com paradas custosas, perda de
competitividade e dificuldade em cumprir metas de sustentabilidade. Em
contrapartida, aqueles que abraçarem essa mudança estarão em posição de
destaque, operando de forma mais eficiente, resiliente e preparada para
enfrentar os desafios da próxima década.
Luis
Cuevas é diretor da Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider
Electric no Brasil
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