![]() |
| Foto: Reprodução |
“Na minha fazenda, em
Potiretama, o que plantei até cresceu, mas a lagarta apareceu e destruiu tudo”,
lamentou o agropecuarista José Antunes Mota, presidente do Sindicato da
Indústria de Lacticínios. Produtor de leite e de queijos — inclusive de cabra —
à frente da marca Cambi, ele conta que, após as boas chuvas do início de
fevereiro, decidiu plantar milho e feijão, como faz todos os anos.
Segundo Antunes, a
precipitação inicial animou os produtores, chegou a dar alguma recarga ao
açude, mas a chuva cessou de forma repentina. “Não vingou. A chuva simplesmente
foi embora, e pior, sem se despedir”, resumiu.
O problema não atinge apenas
Potiretama. Agricultores de várias regiões do Ceará relatam prejuízos causados
pela combinação de estiagem e ataque de lagartas, com perdas que variam
conforme o tamanho da área cultivada. A situação não chega a ser surpresa, já
que a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) havia
alertado para a possibilidade de chuvas abaixo da média histórica neste ano.
Diante da perspectiva de uma
estiagem mais prolongada, pecuaristas começam a se preparar. Entre as primeiras
medidas está a abertura dos silos para utilização de sorgo, milho, soja e palma
forrageira previamente estocados. O cenário mais pessimista prevê algo
semelhante a uma nova seca, embora especialistas indiquem que ainda há outras
possibilidades menos severas.
A experiência recente mostra
que o setor agropecuário cearense aprendeu a conviver com períodos de escassez
hídrica. Entre 2012 e 2017, durante uma das estiagens mais longas da história
recente, a produção de leite bovino não caiu — pelo contrário, aumentou. O
resultado foi atribuído à melhoria genética do rebanho, à adoção de boas
práticas como a ensilagem de volumosos e à ampliação da assistência técnica,
muitas vezes com apoio da iniciativa privada.
De acordo com a Funceme, não
há, até o momento, indicativo de uma seca aguda. Regiões como o Cariri e parte
do Sertão Central apresentam quadro mais animador. Entre Quixadá e
Quixeramobim, por exemplo, produtores relatam situação satisfatória. Já na Chapada
da Ibiapaba, a pluviometria se aproxima da média histórica. Em contrapartida,
na Chapada do Apodi, produtores afirmam que não chove há cerca de 15 dias, o
que preocupa quem investe em culturas mecanizadas como soja e algodão.
Grandes reservatórios, como o Açude
Castanhão, o Açude Orós, o Açude Araras e o Açude Banabuiú, dificilmente terão
recargas expressivas, a menos que haja mudança significativa no regime de
chuvas indicado pelas imagens de satélite.
A Federação da Agricultura e
Pecuária do Estado do Ceará (Faec) já articulou com o governo estadual um
conjunto de medidas para reduzir prejuízos nas áreas mais afetadas. Entre elas,
está a distribuição de sementes selecionadas para aproveitamento imediato caso
as chuvas retornem com regularidade. O foco são os agricultores familiares, que
produzem em pequenas propriedades tanto para subsistência quanto para
abastecimento dos mercados locais.
ESCÂNDALO DO MASTER PODE TER
REPERCUSSÃO NO CEARÁ?
A avaliação de lideranças
políticas ouvidas é de que sim. Parlamentares em Brasília demonstram
preocupação com os desdobramentos das investigações conduzidas pela Polícia
Federal. O novo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André
Mendonça, determinou que a CPI que apura o escândalo no INSS tenha acesso ao
material já periciado.
Nos bastidores, cresce o
receio de que a análise de dados extraídos de celulares e documentos
apreendidos possa atingir nomes de relevância nacional. Ainda assim, há quem
lembre que, historicamente, investigações de grande repercussão no país nem
sempre resultam em punições proporcionais à gravidade das denúncias.

Postar um comentário