Nunes Marques vota para reconhecer aposentadoria especial a vigilantes em julgamento no STF

 

Em um movimento que pode ter impacto direto na vida de centenas de milhares de trabalhadores, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques registrou um voto nesta sexta-feira (6) favorável ao reconhecimento do direito à aposentadoria especial para vigilantes que comprovem exposição a atividades nocivas ou perigosas ao longo de sua carreira.

A decisão, proferida no âmbito de um julgamento em plenário virtual da Corte, faz parte da análise de um recurso apresentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que questiona se a Constituição — após a Reforma da Previdência de 2019 — ainda autoriza esse tipo de benefício com base em risco à integridade física do trabalhador.


O voto de Nunes Marques

Segundo Nunes Marques, a atividade de vigilância — mesmo quando exercida sem uso de arma de fogo — envolve não apenas riscos físicos reais, mas também consequências psicológicas significativas, como ansiedade constante, estresse prolongado e tensão emocional permanentes. Por isso, em seu entendimento, os vigilantes que comprovarem exposição contínua aos riscos inerentes ao ofício devem ter direito à aposentadoria especial, que permite se aposentar com tempo de contribuição reduzido em comparação à aposentadoria comum.

Apesar de favorável, o ministro foi claro ao delimitar o alcance de sua proposta: ele defende que a discussão seja restrita à profissão de vigilante e não sirva automaticamente para estender o benefício a outras categorias que também trabalham em condições perigosas — como trabalhadores expostos a substâncias inflamáveis ou eletricidade — sob pena de gerar efeitos jurídicos indesejados.


Contexto do debate no STF

A aposentadoria especial é um benefício previdenciário que reduz o tempo mínimo de contribuição quando a atividade exercida pelo segurado expõe a saúde ou a integridade física a riscos. Historicamente, categorias que lidam com agentes químicos, físicos ou biológicos considerados nocivos já têm esse direito. No entanto, após a reforma de 2019, o tema ficou juridicamente controverso, especialmente no que diz respeito à chamada “periculosidade” pura — quando o trabalho é apenas considerado perigoso sem exposição a agentes específicos.

O INSS alega que a Constituição, depois das mudanças previdenciárias, não prevê mais aposentadoria especial com base exclusiva no risco físico, argumentando que essa interpretação poderia gerar um impacto atuarial às contas públicas superior a R$ 154 bilhões se estendida para várias categorias.

Até o momento, apenas Nunes Marques registrou voto no processo, e o prazo para os demais ministros participarem se encerra na próxima sexta-feira (13). A decisão final ainda depende dos votos de colegas da Corte no ambiente virtual.


Reações e implicações

O voto favorável ao reconhecimento de aposentadoria especial para vigilantes pode desencadear debates mais amplos sobre as condições de trabalho e o sistema previdenciário brasileiro. Profissionais da categoria e entidades sindicais vêm reivindicando há meses esse direito, argumentando que a rotina de vigilância expõe os trabalhadores a risco constante e desgaste físico e emocional — argumento reforçado por manifestações em várias cidades por todo o país no último ano.


Especialistas em direito previdenciário observam, no entanto, que o resultado final no STF poderá influenciar outras discussões jurídicas e legislativas sobre aposentadorias especiais para categorias que trabalham sob risco, o que pode obrigar o Congresso a ajustar regras ou criar critérios mais claros para esses benefícios.

 




Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem