A decisão não foi unânime. Antonia Pellegrino, diretora de Conteúdo da EBC, manifestou publicamente sua oposição à contratação por entender que os valores envolvidos não são compatíveis com os parâmetros de custos internos praticados pela empresa pública, abrindo um debate sobre o uso de recursos públicos e a missão institucional do conglomerado de mídia estadual.
Debate interno e voto de desempate
Segundo relatos da imprensa, Pellegrino argumentou que o contrato previsto para Datena — com remuneração anual estimada em cerca de R$ 1,445 milhão, incluindo a entrega de 52 episódios semanais de aproximadamente 1h30 na TV Brasil e 260 edições de duas horas no rádio — cria uma assimetria em relação aos padrões de remuneração adotados pela EBC, podendo suscitar questionamentos por parte de órgãos de controle sobre a aplicação de recursos públicos.
Diante do impasse no comitê de programação, o presidente da EBC, André Basbaum, exerceu sua prerrogativa de voto de minerva para desempatar a votação, autorizando a contratação de Datena. A decisão assegura que o apresentador assuma os seus programas na TV Brasil e na Rádio Nacional, com estréia prevista para março de 2026.
Quem é Datena e o que muda na programação da estatal
José Luiz Datena é uma figura conhecida da televisão brasileira, com décadas de carreira em programas de grande audiência, muitos deles centrados em jornalismo policial e debates sobre segurança pública. Recentemente, ele oficializou sua saída da RedeTV!, onde apresentava o programa Brasil do Povo, para se dedicar ao novo contrato com a EBC — que inclui um talk show de entrevistas na TV e um programa jornalístico matinal no rádio.
A expectativa da estatal, segundo apurações em outras reportagens sobre o tema, é que Datena traga público e notoriedade à grade da TV Brasil e da Rádio Nacional, com conteúdos voltados para debates públicos e temas de interesse da sociedade, especialmente segurança pública e cidadania — pauta que sempre esteve presente na trajetória do apresentador.
Críticas e questionamentos sobre a escolha
Apesar da autorização, a contratação de Datena tem gerado críticas que vão além das divergências internas na EBC. Organizações em defesa da democratização da comunicação já se manifestaram contra a presença de um comunicador associado a um estilo de jornalismo sensacionalista em veículos públicos de comunicação, argumentando que isso poderia representar um retrocesso na missão institucional da EBC de promover diversidade, pluralidade e respeito aos direitos humanos.
Esses movimentos ressaltam que a emissora pública deve zelar pela gestão democrática e participação social na definição de sua programação, uma discussão que ganhou ainda mais relevância com o recente recrudescimento das negociações em torno da contratação de Datena.
O que esperar daqui para frente
Com o voto de minerva garantindo a aprovação do contrato, resta observar como o público, os órgãos de controle e a própria comunidade jornalística reagirão à entrada de Datena na programação da TV Brasil e Rádio Nacional. O episódio expõe tensões entre a lógica de audiência e popularidade e a missão de uma mídia pública financiada com recursos estatais, abrindo espaço para debates mais amplos sobre os critérios de contratação e os rumos da comunicação pública no Brasil em um ano eleitoral.
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