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| Foto: Reprodução |
Reconhecida mundialmente pela
riqueza de seus fósseis, a região do Cariri abriga um dos mais importantes
patrimônios paleontológicos do mundo. A Bacia do Araripe reúne espécies únicas,
muitas delas preservadas com nível de detalhe raro, o que torna o território
alvo frequente do contrabando internacional.
Segundo o diretor do Museu de
Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, Allysson Pontes
Pinheiro, o comércio ilegal é um problema histórico, que durante décadas
ocorreu até de forma aberta, em grande parte por desconhecimento da legislação.
“Agora, a percepção é outra. Não há o comércio aberto porque as pessoas
entendem que é crime e, mais do que isso, entendem que é um prejuízo para o
território”, afirma.
Apesar da redução, a prática
ainda existe. O pesquisador explica que o contrabando, muitas vezes, se
aproveita da vulnerabilidade socioeconômica de moradores que encontram nos
fósseis uma possibilidade de renda. “É muito difícil acabar por completo com o
comércio de fósseis, porque sempre tendo quem queira comprar, vai achar alguém
disposto a vender”, analisa.
Ações de fiscalização e
educação têm contribuído para reduzir a prática. Órgãos como Polícia Federal,
Polícia Ambiental e Ministério Público atuam no combate ao crime, como
demonstrou a recente operação Raptor Legacy, que apreendeu fósseis e
identificou suspeitos de venda ilegal na região.
Além disso, muitos fósseis
ainda permanecem guardados em residências. “Recebemos com frequência doações de
pessoas que tinham fósseis de parentes guardados em casa. O melhor lugar para
esse material é o museu”, explica. Ele ressalta que a entrega voluntária não
gera penalização e contribui para a preservação científica.
Nos últimos anos, outro
movimento importante tem ocorrido: a repatriação de fósseis levados ilegalmente
ao exterior. Um exemplo recente é o retorno ao Brasil de cerca de 150 quilos de
peças da Bacia do Araripe que estavam na Suíça. Para Allysson Pontes, as
devoluções representam o “o reconhecimento dos vários locais do mundo, de que
esses patrimônios nos pertencem, que o lugar certo deles é aqui” e
fortalecem a pesquisa, a educação e o turismo científico no Cariri.
Fonte: Jornal do Cariri

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