Foto: Arquivo Data Folha
Quase metade dos brasileiros, 45%, afirmou ter
buscado alguma fonte alternativa de renda nos últimos meses, segundo
levantamento do Datafolha. A pesquisa mostra ainda que 59% dizem que a renda
familiar é insuficiente, em algum grau, para pagar as despesas, enquanto 4 em
cada 10 entrevistados relataram redução de renda no período recente.
A percepção de aperto financeiro é mais intensa
entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos. Nesse grupo, 7 em
cada 10 afirmam que o dinheiro que entra em casa não é suficiente para cobrir
os custos do dia a dia, sinalizando um quadro de maior vulnerabilidade nas
faixas de menor renda.
Mais escolarizados buscam renda extra
A busca por renda extra é mais frequente entre
pessoas com ensino médio e superior, segundo a pesquisa.
A procura por renda complementar ocorre em um
momento de mercado de trabalho aquecido, mas com remuneração considerada
insuficiente para sustentar o custo de vida, segundo especialistas. Esse
descompasso tem levado parte dos brasileiros a buscar atividades paralelas para
reforçar o orçamento, inclusive fora do mercado formal.
Entre entrevistados com ensino fundamental,
esse movimento aparece com menor intensidade, grupo em que há menos pessoas
ocupadas ou em busca de emprego, além de maior presença de aposentados e donas
de casa.
Novas regras, parcerias regionais e classe
média: Como Lula reforça Minha Casa, Minha Vida em sua vitrine eleitoral
Já a perda de renda familiar se concentrou
principalmente entre brasileiros de 35 a 44 anos, faixa em que quase metade
relatou queda nos ganhos nos últimos meses, reforçando a pressão sobre o
orçamento de uma parcela significativa da população.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos
ou mais em 117 municípios brasileiros, nos dias 8 e 9 de abril. A margem de
erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de
confiança de 95%.
Dois em cada três estão endividados
Em pesquisa divulgado na última semana, o
Datafolha constatou que dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de
dívida financeira, como empréstimos. O levantamento divulgado neste sábado
revela ainda que 21% da população está com pagamentos em atraso, evidenciando o
avanço da inadimplência no país.
Critérios objetivos: Governo cria regra contra
juros ‘abusivos’ no consignado de trabalhadores CLT
Entre os que recorreram a empréstimos com
amigos e familiares, a situação é ainda mais crítica: 41% afirmam estar
devendo. Já entre os principais tipos de dívida em atraso, o cartão de crédito
parcelado lidera, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos
bancários (26%) e carnês de lojas (25%).
O uso do crédito rotativo — modalidade acionada
quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão — também chama
atenção. Segundo a pesquisa, 27% dos brasileiros utilizam essa linha de crédito
com alguma frequência, sendo 5% de forma recorrente. Considerado o crédito mais
caro do mercado, o rotativo tem juros médios de 14,9% ao mês, de acordo com o
Banco Central, com limite anual de 100% desde 2024.
O estudo também aponta que 28% dos brasileiros
estão com contas de consumo e serviços em atraso. Entre os principais débitos
aparecem telefone, celular e internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e
carnê-leão (12%), além de contas de luz (11%) e água (9%).
'Economia do aborrecimento': spam,
telemarketing e assinaturas irritantes custam US$ 165 bi por ano
A pressão financeira se reflete no cotidiano
das famílias. Para enfrentar as dificuldades, 64% dos entrevistados disseram
ter reduzido gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa
ou trocaram marcas por opções mais baratas. Outros 52% afirmam ter diminuído a
quantidade de alimentos comprados.
Além disso, metade dos brasileiros declarou ter
reduzido o consumo de água, luz e gás, enquanto 40% deixaram de pagar alguma
conta e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram a compra de
medicamentos.
O Datafolha também mediu o nível de aperto
financeiro da população. O resultado mostra que 27% vivem em situação
considerada “apertada” e 18% em condição “severa”, totalizando 45% dos
brasileiros sob forte চাপo no orçamento. Outros
36% estão em situação moderada, e apenas 19% se classificam como em condição
leve ou sem restrições.
CNI: só 44,5% dos brasileiros têm habilidades
digitais complexas, como o uso de IA
As dificuldades financeiras aparecem como
principal preocupação pessoal dos brasileiros. Segundo o levantamento, 37%
citam problemas ligados a dinheiro, como falta de renda, endividamento e custo
de vida. A resposta mais frequente foi “questões financeiras/falta de
dinheiro/renda”, apontada por 27% dos entrevistados.
A pesquisa também revela o peso do crédito no
dia a dia: 57% dos brasileiros usam cartão de crédito, sendo que 13% parcelam
compras de supermercado com frequência e 4% fazem o mesmo com contas básicas,
como água e luz. Além disso, 5% afirmam pagar a fatura de um cartão com o
limite de outro com frequência, enquanto 10% fazem isso ocasionalmente.
A percepção de que o crédito facilita o
endividamento também é alta: 68% concordam que ofertas via celular ou internet
incentivam gastos por impulso, e 51% dizem ser difícil fechar as contas do mês
sem usar cartão de crédito.
O levantamento mostra ainda fragilidade na
organização das finanças pessoais. Apenas 44% dos brasileiros dizem fazer um
orçamento detalhado, enquanto 23% não realizam qualquer tipo de controle de
gastos.
A ausência de reserva financeira é outro ponto
crítico: 66% afirmam não ter nenhuma poupança. Entre os que possuem, 12%
conseguiriam manter suas despesas por menos de três meses, e 10% por um período
de três a seis meses em caso de perda de renda.
Metade da população (49%) diz se sentir mal ou
muito mal em relação à situação financeira do país.
Fonte: O Globo
Postar um comentário