Megausina em Aqaba deve abastecer mais de 3 milhões de pessoas e se torna modelo global de financiamento climático
A Jordânia deu início a um dos maiores projetos de dessalinização do mundo para enfrentar a grave escassez de água no país. A usina será construída no porto de Aqaba e terá capacidade de converter 300 milhões de metros cúbicos de água salgada por ano, que serão transportados por um aqueduto de 450 quilômetros até a capital, Amã.
O projeto deve beneficiar mais de 3 milhões de pessoas em um dos países mais secos do planeta, onde o racionamento de água já faz parte da rotina da população.
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O investimento total ultrapassa US$ 5 bilhões, podendo chegar a cerca de US$ 6 bilhões, com prazo estimado de quatro anos para conclusão. Parte do financiamento vem do Green Climate Fund, que aprovou um aporte recorde de US$ 295 milhões, além de contribuições dos Estados Unidos, Banco Mundial e outras instituições internacionais.
A obra será executada por um consórcio internacional formado por empresas como SUEZ, VINCI, Orascom Construction e Meridiam, consolidando o projeto como um exemplo de cooperação global em infraestrutura hídrica.
Segundo autoridades jordanianas, a iniciativa é considerada estratégica e essencial para a sobrevivência do país, que enfrenta projeções de aumento de até 4°C na temperatura média e redução superior a 20% nas chuvas até o fim do século.
Atualmente, moradores de Amã recebem água apenas uma ou duas vezes por semana, sendo obrigados a armazenar o recurso em reservatórios.
Além de ampliar em até 60% o fornecimento de água doméstica, o projeto também busca reduzir custos ao longo do tempo, com expectativa de economia significativa para o governo.
Apesar da grandiosidade, especialistas apontam desafios, como o alto consumo de energia do processo de dessalinização. Para mitigar esse impacto, há previsão de uso de fontes renováveis, como energia solar.
O avanço da Jordânia ocorre em um cenário global onde países do Oriente Médio têm ampliado investimentos em dessalinização. A Arábia Saudita, por exemplo, anunciou planos de investir cerca de US$ 80 bilhões em novas usinas nos próximos anos.
A iniciativa reforça a importância de soluções estruturais para garantir segurança hídrica em regiões áridas, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas.
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